segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os crimes renovados

Imagem da Capela Sistina, pintura de Miguel Ângelo


Bíblia


Alcorão


Trouxe-me a vida um destino feliz: viajar e dividir os dias com culturas diversas.

Por exemplo, esta a que chamam cristã, e a judaica e a islâmica.

Também, parte da africana.

Hoje, quando vejo, nas tvs, e leio, nos jornais, aquilo que se diz, é-me impossível não sentir amargura e impaciência: tanta hipocrisia!

Ao correr da pena: releio, nos livros da especialidade, páginas sobre as perseguições aos judeus, península ibérica fora –e releio que preocupou os cristãos puros, a Igreja e a Inquisição, afastar os judeus de certos cargos: ordens militares, magistratura, universidades, etc.

Para lhes aceder, exigia-se sangue limpo –a conhecida limpeza de sangue:

que nenhum antepassado tivesse sido judeu.

O que levou a milhares de autos-de-fé, que puseram a arder em fogueiras milhares de homens e mulheres e crianças sem... sangue limpo...

Mas, ATENÇÃO!, amigo, essa exigência criminosa, que um chamado Hitler retomou, há décadas, num país chamado Alemanha, era extensível aos mouros: aos árabes: aos muçulmanos.

Lei que durou História fora, pelo visto –e se estendeu a ciganos, homossexuais, diminuídos físicos…

Lei que se arrastou, com a Inquisição à proa, na nossa Península Ibérica, até ao século XIX.

Lei que se desenterra todos os dias, pronta a servir para impedir, perseguir e humilhar a imigração, os imigrantes; que serve para cortar as águas: deste lado, eu, o puro; do outro lado, eles, os impuros.

Os quais são todos: judeus, árabes, negros, amarelos, e etc.

Conforme convenha.

Miguel Ângelo, na Capela Sistina, tentou juntar o homem a Deus: que dessem um aperto de mão.

Quimera?  

3 comentários:

  1. Quimera, não... Se Deus existir, Ele só pode fazer isso...

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  2. Teresa Pizarro Beleza - tpb@fd.unl.pt29 de setembro de 2012 às 08:36

    Suponho que a imagem de Miguel Ângelo quer representar Deus a criar o Homem à sua imagem, conforme a teologia cristã... Um 'aperto de mão' pressupõe uma igualdade de planos que, mesmo que fosse verosímil para MA, ele nunca se atreveria a sugerir naquele contexto e na época em que viveu (suponho)...

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  3. A teologia cristã é-me indiferente, e não é por ela que vivo. Sim: a pintura supõe uma igualdade de planos: Deus dá um aperto de mão ao Homem porque se terá feito Homem para acompanhar o Homem. Claro que MA se atreveria e atreveu a isso e muito mais. A existir, Deus é o companheiro da rua, o camarada. Bom fim de semana.

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