sexta-feira, 22 de julho de 2011

Votação para um novo secretário-geral do PS

Duvido que esta primeira bandeira do PS esteja presente nas votações... Foi chão que deu uvas?



Hoje e amanhã, os socialistas votam um novo secretário-geral.



Por onde andam os ideais socialistas que, nos anos seguintes ao 25 de Abril de 1974, marcaram o último quarto do século passado?




Diógenes, com a lanterna, daria com eles?


E volto a António Sérgio e à sua conferência em Coimbra, nos idos de 1926, à beira da proibição salazarista das palestras livres (cf. "Ensaios", Tomo II, O Reino Cadaveroso ou O Problema da Cultura em Portugal).



Sublinha a importância que Luís António Verney, Alexandre Herculano e Antero de Quental tiveram para a nossa Cultura; ou melhor, na luta pela Cultura, num país periférico, com um atraso abismal e uma maioria reaccionária, conservadora do obscurantismo.



Escreve Sérgio:



“Deixámos sempre a possibilidade de um retorno ofensivo da grei selvagem (...) não basta o combate e o fragor das armas –seja o combatente um Luís Verney, um Alexandre Herculano, um Antero de Quental. Os argumentos de um Herculano ou de um Verney, convencem a pequeníssima minoria lusa dos homens inteligentes e sabedores –isto é, dos que não precisam de ser convencidos; e as trapaças soezes dos seus inimigos reforçam a reacção da gente ignara, que vence por fim, mantendo a incultura tradicional.”



E, como digo acima, assim aconteceu: sobreveio um ultra-reaccionário, um inimigo da Cultura, o ex-seminarista de Santa Comba, que nos enterrou mais e mais, durante quase meio século.



Ainda hoje as gerações perdidas portuguesas -não os jovens, mas, sim, os de 50, 60, 70 anos, falarei disso em breve- pagam a descerebralização sistemática praticada pelo regime salazarista: o contínuo chupar, por uma palhinha, qualquer luzinha de conhecimento construtivo, gesto de libertação, crítica, revolta.



O pasmo que tomou conta de Portugal durante 48 anos ainda condiciona os que nele foram forçados a chafurdar ou espernear.



Se o novo secretário-geral do PS não reagir contra o “socialismo capilé”... o bando que nos assalta os bens continuará a fazer aquilo que entender.



E será à margem do PS que a necessária (desejo-a inevitável) mudança acontecerá.



A votação de hoje e amanhã e será uma missa de corpo (cadáver) presente?

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