Um dos gestos redutores das despesas do Estado, que Passos Coelho decidiu é emblemático:
reclassificar o Ministério da Cultura, baixando-o à categoria de Secretaria de Estado da Cultura.
Isso define um governo: a mentalidade e as intenções.
Desde o século XVII, e na sequência de um obscurantismo que campou, sobretudo, na Península Ibérica e, em Portugal, culminou com a Inquisição e consequências, a Incultura nacional foi a nossa chaga: o nossa cancro.
“Índios da Europa”, assim nos chamavam lá fora.
Cita-o António Sérgio (quando ainda o podia citar e o salazarismo não nos amordaçara, numa conferência em Coimbra, 1926, publicada nos Ensaios, Tomo I).
E, já antes, explicitara: “o século XVII, aqui, é peripatético e medieval, além de barroco”.
E, já antes, explicitara: “o século XVII, aqui, é peripatético e medieval, além de barroco”.
Entendeu Coelho que a Cultura é coisa de menos –e que a economia e as finanças, coisas de mais.
Desentendeu –duvido que alguma vez lhe passasse pela cabeça- que, da Cultura do economista, decorre a injustiça, humanidade e moralidade (ou a injustiça, desumanidade e amoralidade) das escolhas económico-financeiras.
Pela ignorância da Filosofia, que estudam os economistas em Cambridge e em Harvard, logo, pela ignorância ética, tem pecado, erra mortalmente o sistema do capitalismo financeiro –e atirou-nos e atira-nos a todos para a tragédia em que vivemos e sossobramos.
Coelho e os seus pertencem a quantos visa esta passagem da conferência de António Sérgio: “descreve Verney [já e ainda no século XVII] a atitude do Português perante a Cultura –“coisas inutilíssimas”, a que aqui chamavam, segundo ele conta, “arengas supérfluas e ociosidades de estrangeiros”.
Assim nos resta um novo Portugal dos Pequeninos, pobres e periféricos, ignorantes e resignados.
Que aqueles que o recusarem e o não quiserem ser –ignorantes e resigandos- haverão de optar pela escolha do grande Luís António Verney: emigrar e nunca mais voltar.
Escolha de Verney e de milhões de outros. Escolha que continua hoje.
E continuará, até à redenção de São Nunca à Tarde.
p.s. ser Francisco José Viegas Secretário de Estado da Cultura não tem nada a ver com o assunto nem é a sua escolha que está em causa; o que se lamenta é que tenha deixado de haver um Ministro da Cultura.


Concordo plenamente!
ResponderEliminarEstão a atrofiar-nos.
A cultura que devia ser elevada para combater a ignorância e a crise, é ela em si um fruto da crise...
A cultura de coelhos está bem expressa numa entrevista,a um jornal estrangeiro,onde pretendeu passar por culto.
ResponderEliminarA escolha para a redução de cultura também me não deixa nada,mesmo nada,sossegado.
Um abraço,
mário
A importancia da Cultura de um País nao se mede pela existencia de Ministerio ou de Secretaria de Estado. Mede-se pelo saber e cultura intrinseca do seu Povo, a começar pelas atitudes e metodos do seu Futuro i.e. da sua JUVENTUDE. E a realidade do passado recente de 6 anos, amedronta! Não me preocupa nada que nao haja MCultura e apenas Secretaria de Estado; preocupa-me o que se fara nos proximos anos sobre CULTURA PORTUGUESA e dos Portugueses. E preocupa-nos agora mtº a todos os Portugueses (e não aos oportunismas e incompetentes que ca nasceram) que vivem cá dentro e lá fora, o que não foi feito em 6 anos e o mal que foi feito para o nosso Futuro nos ultimos 6 anos APESAR DE EXISTIREM MTS MINISTERIOS.
ResponderEliminarAo levarem-nos durante 6 anos até ao abismo economico-social da Bancarrota actual, o des-governo das pinosokretinices (de xuxa-listas corruptos, de varapaus e outros calhaus, de bois e boyadas sem qualquer ética saber e sentido de ética --- A ultima pinosokretinice é que mais um boy TRAIU seu País ao divulgar segredos do seu anterior trabalho estatal à "Ongoing" para onde foi depois: se fosse possivel, cortava-lhe os tomates portugueses para dar de comer aos porcos e nojo como ele) acabou por condicionar NO MAU SENTIDO o actual Presente e o Futuro a Médio Prazo de todos os Portugueses não-políticos e não-abastados.
Guimaraes, Porto e Lisboa.