
“-Mas afinal... o mestre perdoe-me: Não lhe deixei acabar o que me estava dizendo sobre os críticos, os amigos do escritor, o público...
-(...) Olhe não procure os seus amigos entre colegas! São rivais que cedo ou tarde o atraiçoarão. E, sendo Você o mais generoso, será a maior vítima. Sempre há as tais excepções... é certo. Aparecendo-lhe alguma, agarre-a bem! Mas, dum modo geral, os escritores é que mais precisam de escolher as suas amizades entre gente simples. Torna-se uma medida de higiene. Quanto ao público... Bem! Não vale a pena pensar no público, por mais importância que tenha para a imediata carreira dum escritor. Deixe os medíocres literatos cortejarem o público. Abstraia, siga!, e o público lhe virá, ao menos por curiosidade, -o restrito público dum escritor português sério...- quando suspeitar que Você vale suficientemente para não ir atrás dele. No fim e ao cabo, ainda é do público anónimo que nos vêm uns amigos desconhecidos que verdadeiramente nos animam! e talvez os melhores críticos. Por exemplo: O meu amigo, que já é meu amigo, não me veio do público? Se não é rico, arranje uma profissão, para poder ser livre como escritor. E, depois de tudo isto, considere que ainda vale a pena ser artista... quem nasceu artista.”
in Os Avisos do Destino, 3ª parte de A Velha Casa, editado pela IN/CM
A sua sabedoria, Mestre! A sua sabedoria!
ResponderEliminarJá cá tenho estes livrinhos para ler,há algum tempo.Mas só vou lê-los nas férias para ler a obra completa.TEnho muita vontade de os ler, por tudo o que já lhe ouvi dizer deles.
ResponderEliminarUm abraço
Isabel