quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

No tempo do "génio" de compra e venda...


O intelectual à procura da estrada para o sucesso e para a libra...


Em Novembro de 1938, saiu mais um exemplar da fabulosa presença, que reúne os números 53-53; dele consta, assinado por José Régio, o longo e polémico artigo Página Indiscreta, “Sagesse” do Chiado ou as Luzes da Cidade.

77 anos depois, o texto, escrito com ácido sulfúrico, parece-me tristemente actual; aqui vos deixo estas passagens em que o poeta denuncia os literatos, cabeças do mundo literato, roubando-lhes a voz e os pensamentos e expondo-os, em tudo aquilo que têm de ridículo e idiota:

“Não se pode crer, é facto, que Victor Hugo ou Baudelaire, Milton ou Dante, Kant ou Schopenhauer, Dickens ou Tolstoi, fossem nulidades completas. Mas viveram noutro tempo! Além de que não frequentaram o Chiado.

(…)E deixemo-nos de hipocrisias, caramba! O que mais importa a quem, de qualquer modo, se apresenta a público, não é ser do seu tempo, conhecido pelos seus contemporâneos, integrado na sua época, recompensado em vivo?”

Assim falavam os zaratustras da época -1938; assim falam os zaratustras de hoje, que por aí andam, a trocar favores -io do una cosa a te tu dai una cosa a me-, cuidando bem ser desta pobre época e satisfazer os gostos da massificada multidão vigente.       


3 comentários:

  1. Têm que haver homens diferentes dos que aqui estão em retrato. Ou pode ser que nasçam este ano:) o que é azar, vão levar tempo a crescer e entretanto a gente morre e isso.

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