sábado, 21 de novembro de 2015

O livro esquecido algures numa biblioteca..


Óleo de William Turner


Ao arrumar a nossa biblioteca, eis a minha companheira a esbarrar com um livro raro e por nós já esquecido: 

Tragédia Do Sol Posto. 

É a primeira edição e tem 91 anos… 

E a seguinte dedicatória: “Ao seu belo amigo Sebastião Centeno Fragoso, formoso e esclarecido espírito –of,ce Afonso Duarte, Coimbra, 28 de Abril de 1914.” 

Da obrinha retirei este soneto:


ORLA MARÍTIMA

Onda do mar na barra… Enorme vaga
De Terra e Céu vejo o horizonte raso…
As minhas mãos, em concha, o mar afaga…
E em flor ao peito, ponho o Sol do Ocaso.

Já a Saudade, aos ermos céus de mágoa,
Cai sobre mim a tarde ao abandono.
E naufrago, chorando à beira d’água,
Mau coração é um casal no Outono.

Noite caindo a um rumor de aldravas…
Crio meus versos quando o fim da Tarde
Dá espasmos de volúpia às rosas bravas;

Ou há gritos de espumas em cachopo
Quando o Sol cai ao mar… e lívido arde
Á lua-cheia, ermo perfil de choupo.

in  Afonso Duarte, Tragédia do Sol Posto, Coimbra, F. França Amado, Editor, 1914


5 comentários:

  1. Uma preciosidade! Mas o Manuel tem muitas preciosidades dessas!
    Lindo, o poema:)
    Desejo-lhe um bom domingo:)

    ResponderEliminar
  2. Amigas, com atraso, agradeço os vossos comentários.

    ResponderEliminar
  3. Amigas, com atraso, agradeço os vossos comentários.

    ResponderEliminar