Michelangelo in Capela Sistina, pormenor
“[meu pai] pronunciou-se
explicitamente a favor da bondade, na qual acreditava: “ela pode existir sem fé e ser, precisamente, o resultado da dúvida”.
Essa bondade ilumina, aquece uma actividade artística cujo princípio era “divulgar
entre os homens um pouco mais de felicidade, de conhecimento e de alegria”.
Erika Mann in L’Ultimo Ano, Memória de meu Pai, Arnoldo
Mondadori Editore, 1960
p.s.: pergunto: a dúvida, a incerteza do
sentido da vida abordada e desenvolvida, através desta ou daquela obra de arte,
deste ou daquele livro, então companheiros de viagem… Será o que queria dizer
Thomas Mann?
Thomas Mann


Longe de mim querer interpretar Thomas Mann no que ele mesmo quis dizer. Até porque interpretar acarreta a dimensão pessoal que, neste e em todos os casos, interessa e faz possível o diálogo de si consigo e de si com o artista.
ResponderEliminarPois o que vejo na afirmação é que a dúvida existencial sobre a possibilidade de um ser divino pode não se resolver no sentido de uma resposta explícita, mas originar a tal bondade em relação aos existentes, condensada na obra de arte. Deste ponto de vista, toda a arte expressa a bondade do artista em relação à humanidade. Ele dá a ver, possibilita, distrai a alma...que a arte é para ser contemplada. E a beleza faz falta ao espírito.