terça-feira, 24 de novembro de 2015

A arte e a bondade segundo Thomas Mann por sua filha Erika


Michelangelo in Capela Sistina, pormenor


“[meu pai] pronunciou-se explicitamente a favor da bondade, na qual acreditava: “ela pode existir sem fé e ser, precisamente, o resultado da dúvida”. Essa bondade ilumina, aquece uma actividade artística cujo princípio era “divulgar entre os homens um pouco mais de felicidade, de conhecimento e de alegria”.

Erika Mann in L’Ultimo Ano, Memória de meu Pai, Arnoldo Mondadori Editore, 1960


p.s.: pergunto: a dúvida, a incerteza do sentido da vida abordada e desenvolvida, através desta ou daquela obra de arte, deste ou daquele livro, então companheiros de viagem… Será o que queria dizer Thomas Mann?


Thomas Mann

1 comentário:

  1. Longe de mim querer interpretar Thomas Mann no que ele mesmo quis dizer. Até porque interpretar acarreta a dimensão pessoal que, neste e em todos os casos, interessa e faz possível o diálogo de si consigo e de si com o artista.

    Pois o que vejo na afirmação é que a dúvida existencial sobre a possibilidade de um ser divino pode não se resolver no sentido de uma resposta explícita, mas originar a tal bondade em relação aos existentes, condensada na obra de arte. Deste ponto de vista, toda a arte expressa a bondade do artista em relação à humanidade. Ele dá a ver, possibilita, distrai a alma...que a arte é para ser contemplada. E a beleza faz falta ao espírito.

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