segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A humanidade exemplar de um cão ou a saudade do amor morto nos nossos dias

Hachikô, um cão apaixonado

Revi, ontem, o filme Hachikô Monogatari , a história do amor de um cão -Hachikô- pelo seu dono, agora na versão japonesa. Pareceu-me essencial mais autêntica, mais exacta e mais forte, limpa do melodramático que salpica a versão americana.

Tudo está contado e comentado no blog Falcão de Jade, reproduzido no meu FB.

E pensei que a entrega sentimental de um cão, de um animal, é uma espécie de provocação.

Provocação do quê?

Assistir a esse movimento para o outro, para o amigo, para o amado, vindo de um animal, solta os sentimentos que esmagamos, em nós, fechados a sete chaves no egoísmo, na armadura que construímos, prisioneiros do medo, refugiados na sociedade de hoje, desumanizada, mecanizada, numérica. Gelada. Implacável proibidora de sentimentos, estripadora de almas, fábrica de escravos.


Assistir à poesia do amor alivia-nos, emociona-nos; mas as nossas lágrimas talvez sejam choradas sobre nós próprios.    

3 comentários:

  1. Quando choramos tornamos-nos mais bonitos. Pesamos o bem e o mal.
    Gostei muito deste filme.
    Beijinho.

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  2. Ana, mas...choramos por nós: pelo que não fomos capazes de realizar, no caso, a abertura ao afecto que o cão revela.

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  3. Já vi no blogue da Maria João, deve ser um filme muito bonito. Já ouvi falar na história, verdadeira.

    Um beijinho:)

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