Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa, 2.Fevereiro.1847-Lisboa, 24.Março.1921)
Ler Maria Amália Vaz de
Carvalho… Não é fácil de encontrar, mas dei com ela. Confesso que nunca a
procurara, mas considerava-o uma falha.
Revelou-se um espírito
dividido entre a sociedade conservadora que a condicionava e a sociedade aberta
pela qual já muitos lutavam.
Aqui vos deixo três
passagens do livro que descobri num alfarrabista de Lisboa, apontamentos
inteligentes, certamente ainda oportunos e, imaginem!, aqui e ali… revolucionários.
Sobretudo, capazes de
fazerem tremer muita gente desse e deste tempo, obtusamente agarrada a dogmas
seculares.
Quando Maria Amália
escreve: Só o que é falso é funesto e corruptor,
expulsa dogmas, recupera o sagrado da verdade, condena a hipocrisia,
condena a mentira –a mentira que disfarça a miséria da sociedade amoral em que
vivia… e, hoje, é, ainda, a nossa.
“(…)
há naturezas mesquinhas a que é necessário dar a compreensão do que o homem
abriga no seio de mau e de bom, mas de grandioso em todo o caso; há naturezas
inclinadas ao bem para as quais tudo é puro; as mais turvas águas ao passarem
pelo filtro de uma alma pura tornam-se cristalinas.”
“Só o que é falso é
funesto e corruptor.”
“(…) assim também os livros falsos ou os livros medíocres
são tudo que há de mais próprio para deformar e empobrecer um entendimento aliás
bem dotado”
Maria Amália Vaz de Carvalho in Figuras de Hoje e de Hontem, Parceria A.
M. Pereira Editora, Lisboa, 1902

Palavras inteligentes e certas.
ResponderEliminarUm beijinho e um bom fim-de-semana:)