sábado, 24 de janeiro de 2015

Uma alma aberta




Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa, 2.Fevereiro.1847-Lisboa, 24.Março.1921)

Ler Maria Amália Vaz de Carvalho… Não é fácil de encontrar, mas dei com ela. Confesso que nunca a procurara, mas considerava-o uma falha.

Revelou-se um espírito dividido entre a sociedade conservadora que a condicionava e a sociedade aberta pela qual já muitos lutavam.

Aqui vos deixo três passagens do livro que descobri num alfarrabista de Lisboa, apontamentos inteligentes, certamente ainda oportunos e, imaginem!, aqui e ali… revolucionários.

Sobretudo, capazes de fazerem tremer muita gente desse e deste tempo, obtusamente agarrada a dogmas seculares.

Quando Maria Amália escreve: Só o que é falso é funesto e corruptor, expulsa dogmas, recupera o sagrado da verdade, condena a hipocrisia, condena a mentira –a mentira que disfarça a miséria da sociedade amoral em que vivia… e, hoje, é, ainda, a nossa.

“(…) há naturezas mesquinhas a que é necessário dar a compreensão do que o homem abriga no seio de mau e de bom, mas de grandioso em todo o caso; há naturezas inclinadas ao bem para as quais tudo é puro; as mais turvas águas ao passarem pelo filtro de uma alma pura tornam-se cristalinas.” 

“Só o que é falso é funesto e corruptor.” 

“(…) assim também os livros falsos ou os livros medíocres são tudo que há de mais próprio para deformar e empobrecer um entendimento aliás bem dotado”


Maria Amália Vaz de Carvalho in Figuras de Hoje e de Hontem, Parceria A. M. Pereira Editora, Lisboa, 1902 

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