sexta-feira, 21 de março de 2014

A ventura de amar

Ela e eu


Amor

Antes que seu perfil me aparecesse,
Eu tinha gasto o coração a vê-la…
E erguendo aos céus as minhas mãos em prece,
O meu amor foi só reconhecê-la.

Como graça de Deus que me atendesse,
Sou seu amor, posso dizer-me de Ela…
Chamar-lhe minha, assim quem o pudesse,
Na noite da minh’alma única estrela!

P´ra meu amor é que Ela ao mundo veio;
E, assim, outrem amando-a, era parti-la,
Que alguma coisa de Ela há no meu seio.

Não será minha? Isso que tem para a Arte?
Estatuário que eu sou, hei-de esculpi-la;
Dá-la em beleza é o meu amor em parte.


Afonso Duarte in Rapsódia do Sol-Nado seguida do Ritual do Amor, Edição “Renascença Portuguesa”, 1916, Porto

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