Natália Nunes é uma das
mais complexas escritoras portuguesas do nosso tempo.
Conheci-a muito bem,
nos idos de 60. Sobre ela escrevi, com ela conversei.
A vida meteu-se ao meio,
vivi 30 anos fora de Portugal, exercendo funções diplomáticas, e o nosso
contacto evaporou-se.
Julgo que nunca nos
encontrámos –mas falámos, longamente e muitas vezes, ao telefone.
Aprendi muito com ela
cuja humanidade, sensibilidade e cultura muito me ensinaram.
Em 1965, no extinto Diário Popular, avaliei-a assim:
“Livre
de retórica, certo na busca do essencial e no desprezo pelo acessório, atento a
um equilíbrio formal que se esconde por detrás do quotidiano invertebrado e do movimento espapaçado que se fixa, o romance *** [acrescento,
hoje: os romances] de Natália Nunes confirma [confirmam] o talento de uma novelista invulgar.”
Pois, seguindo as
regras canibalescas da Feira Literata, a singular e importante escritora
Natália Nunes foi esquecida, enterrada em vida, entregue ao silêncio.
Eu continuo a relê-la e
recordo-a com imensa amizade, ternura e admiração.
Chegou ela aos 92 anos,
viva e lúcida. Parabéns!
Daqui lhe manda um
grande, grande, grande abraço este seu fiel amigo… quase fantasma.
***trata-se do romance
admirável Assembleia de Mulheres”
(Portugália Editora, 1965)

Não conhecia a escritora.
ResponderEliminarJá estive a ver no site Wook e tem o livro Assembleia de Mulheres, que vou pedir.
De certeza que vale a pena ler!
É verdade, Natália Nunes está esquecida. Poucos falam nela.
ResponderEliminarContra mim falo que nunca a li.:((
Um beijinho.:))