quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O monge e a memória e uma obra-prima única na Literatura

Durante quase 20 anos, assim levou a cabo Marcel Proust a sua obra

Hoje, Du Côté de Chez Swan: no centenário do primeiro volume de À la recherche du temps perdu, obra gigantesca de Marcel Proust, pertença da Eternidade.

No dia 14 de Novembro de 1913, iniciava-se a publicação da obra monumental que Proust sonhava escrever.

A mãe do escritor, Jeanne Weil, de sangue e religião judaicos, casada com Adrien Proust, professor da Faculdade de Medicina de Paris, morrera há 8 anos –o que representara um  golpe terrível para Marcel.

Andrien Proust falecera, já, em 24 de Novembro de 1903, ou seja, dois anos antes.

A partir daí, o escritor dedicar-se-ia, exclusivamente, à realização da sua obra, recolhido em casa, quase sempre acamado, isolado, entregue à escrita e aos cuidados de uma governanta extraordinária, Céleste Albaret, autora de um livro essencial para todos aqueles que o génio de Proust haja seduzido: Monsieur Proust, Souvenirs recueillis par George Belmont (Éditions Robert Lafont, 1973).

Os últimos 17 anos de vida, Proust (1871-1922) viveu-os a modo monacal, tudo sacrificando ao sonho, que se concretizou: a feitura de novas deslumbrantes Mil e uma noites cuja riqueza é insuperável.

E as palavras que dedica a uma das suas personagens -o escritor Bergotte- certamente as deixou a pensar em si e na própria morte *****.

Aqui as transcrevo:

“Enterraram-no, mas, durante toda essa noite fúnebre, nas vitrinas iluminadas, os seus livros, dispostos três a três, velavam como anjos de asas abertas, e dir-se-ia serem, para aquele que já não existia, o símbolo da ressurreição.”

***** in A la recherche du temps perdu, La Prisionnière, III Volume, p. 188,  Bibliotèque de la Pléiade, Gallimard, 1954

Campa de Marcel Proust: mas, ali, nada resta dele -ele está vivo na sua imensa obra: é lá que deves procurá-lo

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