segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Nos 92 anos de Natália Nunes grande romancista esquecida



Natália Nunes é uma das mais complexas escritoras portuguesas do nosso tempo.

Conheci-a muito bem, nos idos de 60. Sobre ela escrevi, com ela conversei.

A vida meteu-se ao meio, vivi 30 anos fora de Portugal, exercendo funções diplomáticas, e o nosso contacto evaporou-se.

Julgo que nunca nos encontrámos –mas falámos, longamente e muitas vezes, ao telefone.

Aprendi muito com ela cuja humanidade, sensibilidade e cultura muito me ensinaram.

Em 1965, no extinto Diário Popular, avaliei-a assim:

“Livre de retórica, certo na busca do essencial e no desprezo pelo acessório, atento a um equilíbrio formal que se esconde por detrás do quotidiano invertebrado e do movimento espapaçado que se fixa, o romance *** [acrescento, hoje: os romances] de Natália Nunes confirma [confirmam] o talento de uma novelista invulgar.”

Pois, seguindo as regras canibalescas da Feira Literata, a singular e importante escritora Natália Nunes foi esquecida, enterrada em vida, entregue ao silêncio.

Eu continuo a relê-la e recordo-a com imensa amizade, ternura e admiração.


Chegou ela aos 92 anos, viva e lúcida. Parabéns!

Daqui lhe manda um grande, grande, grande abraço este seu fiel amigo… quase fantasma.


***trata-se do romance admirável Assembleia de Mulheres” (Portugália Editora, 1965)

2 comentários:

  1. Não conhecia a escritora.
    Já estive a ver no site Wook e tem o livro Assembleia de Mulheres, que vou pedir.
    De certeza que vale a pena ler!

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  2. É verdade, Natália Nunes está esquecida. Poucos falam nela.
    Contra mim falo que nunca a li.:((

    Um beijinho.:))

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