António Ramos Rosa
1
O grito que não chama,
a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o
poema lê.
E o silêncio, o
silêncio do grito
é sempre outro, além,
nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou
serpentina mas
o grito na neve, o
grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem
sobre a boca
dá o sinal do grito se
aqui o grito
não clama o clamor mas
incendeia
a não-leitura –leitura
das trevas verdes
em que boca sobrenada
sobre nada
grita o silêncio do
grito o grito do silêncio.
António Ramos Rosa in O Incêndio dos Aspectos, Na Regra do
Jogo, 1980

Gosto do poema. Não sei se o interpreto bem, porque é difícil, mas gosto.
ResponderEliminarTenha uma boa noite! :)
Mais um grande poeta que partiu, mas que nos deixou um legado riquíssimo!!
ResponderEliminarBeijinhos.:))
Isabel, interpretou bem, com certeza: até a dificuldade que caracterizou e seguiu a poesia arquitectural de ARR. Bom dia!
ResponderEliminarIsabel, interpretou bem, com certeza: até a dificuldade que caracterizou e seguiu a poesia arquitectural de ARR. Bom dia!
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