sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, Carregal, 13 de Setembro de 1885-Lisboa, 27 de Maio de 1963) faria hoje 128 anos

"Aqulino", por Artur Bual



“Tinha o seu passaporte de emigrante, foi a Lisboa revalidá-lo. Voltou à aldeia triste, em que agora, com a invasão da floresta, se ouviam todas as noites uivar os lobos, esperar que lhe chegasse a vez no barco negreiro. Não tardou que chegasse o aviso. Despediu-se, rosto iluminado por um clarão, que irradiava uma aurora.

-Aperta-me bem ao teu coração, meu filho, que não o tornas a ouvir bater! –gemeu o velho.

-Qual, em menos de seis meses estou de volta.

-Não te vejo mais! –e carpia-se e quase o estorcegava nos braços. Como era mais alto, regava-o ao mesmo tempo com lágrimas.

Embarcou na camioneta de carreira, com a malinha de fibra como viera, estranho, corajoso, possuído duma serenidade fora do seu lugar e do tempo.

-Desgraçado de quem é português! –exclamou o Jaime.

-Mil diabos te levem! –redarguiu o avô.- A vida fazemo-la nós! Quem diz vida diz nação. À morte os vendilhões!”

Aquilino Ribeiro in Quando os lobos uiva ***, Livraria Bertrand, Lisboa, 1958


***quando Mestre Aquilino faleceu, ainda pendia sobre ele um processo-crime: ter escrito e publicado esse romance

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