“Tinha
o seu passaporte de emigrante, foi a Lisboa revalidá-lo. Voltou à aldeia
triste, em que agora, com a invasão da floresta, se ouviam todas as noites
uivar os lobos, esperar que lhe chegasse a vez no barco negreiro. Não tardou
que chegasse o aviso. Despediu-se, rosto iluminado por um clarão, que irradiava
uma aurora.
-Aperta-me
bem ao teu coração, meu filho, que não o tornas a ouvir bater! –gemeu o velho.
-Qual,
em menos de seis meses estou de volta.
-Não
te vejo mais! –e carpia-se e quase o estorcegava nos braços. Como era mais
alto, regava-o ao mesmo tempo com lágrimas.
Embarcou
na camioneta de carreira, com a malinha de fibra como viera, estranho,
corajoso, possuído duma serenidade fora do seu lugar e do tempo.
-Desgraçado
de quem é português! –exclamou o Jaime.
-Mil
diabos te levem! –redarguiu o avô.- A vida fazemo-la nós! Quem diz vida diz
nação. À morte os vendilhões!”
Aquilino Ribeiro in Quando os lobos uiva ***, Livraria Bertrand, Lisboa, 1958
***quando Mestre Aquilino faleceu, ainda pendia sobre ele um processo-crime:
ter escrito e publicado esse romance

Bom dia, Manuel
ResponderEliminarTambém assinalei a data no blog da Lumière!
Um beijinho.:))
A LIVRARIA LUMIÈRE NÃO FALHA NADA! Beijos!
ResponderEliminarA LIVRARIA LUMIÈRE NÃO FALHA NADA! Beijos!
ResponderEliminarA LIVRARIA LUMIÈRE NÃO FALHA NADA! Beijos!
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