terça-feira, 24 de setembro de 2013

Homenagem a um poeta-artesão que deixa marca no seu tempo

António Ramos Rosa

1

O grito que não chama, a chama verde
submersa  ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.

E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.

Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia

a não-leitura –leitura das trevas verdes
em que boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.

António Ramos Rosa in O Incêndio dos Aspectos, Na Regra do Jogo, 1980



4 comentários:

  1. Gosto do poema. Não sei se o interpreto bem, porque é difícil, mas gosto.
    Tenha uma boa noite! :)

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  2. Mais um grande poeta que partiu, mas que nos deixou um legado riquíssimo!!

    Beijinhos.:))

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  3. Isabel, interpretou bem, com certeza: até a dificuldade que caracterizou e seguiu a poesia arquitectural de ARR. Bom dia!

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  4. Isabel, interpretou bem, com certeza: até a dificuldade que caracterizou e seguiu a poesia arquitectural de ARR. Bom dia!

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