O MEU CORVO
(Antero
e Pöe)
Quando o meu corvo, trémulo,
doente,
-Como quem sofre as
minhas agonias-
Naquela noite veio,
amargamente.
Dizer-me, soluçando,
que morrias,
Percebi-lhe no olhar as
nostalgias
Da noite negra, sem
luar, fremente,
Aonde as suas asas
luzidias
Tomaram cor misteriosamente…
E à luz medrosa do candeeiro
exausto,
Bebendo a minha dor num
largo hausto
Mais triste que o
soluço das nortadas
Analisei a mágoa de nós
dois
Para ver qual sofria
mais… depois…
Céus! Desatei,
chorando, às gargalhadas!
José Duro in Fel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Duro

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