quinta-feira, 11 de julho de 2013

As vinhas da ira

"Pobres", óleo de Cândido Portinari


VEM, VENTO, VARRE!

Vem, vento, varre
Sonhos e mortos.
Vem, vento, varre
Medos e culpas.
Quer seja dia
Quer seja treva,
Varre sem pena,
Leva adiante
Paz e sossego,
Leva contigo
Nocturnas preces,
Presságios fúnebres,
Pávidos rostos
Só cobardia.

Que fiques apenas
Erecto e duro
O tronco estreme
De raiz funda.
Leva a doçura,
Se for preciso;
Ao canto fundo
Basta o que basta!

Adolfo Casais Monteiro in Noite Aberta aos Quatro Ventos, 1943, transladado para Líricas Portuguesas, 2ª série, por Cabral do Nascimento, Portugália Editora, 1954

2 comentários:

  1. Que o vento varra e leve.
    Beijinho, Manuel.

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  2. Ana, creio que foste a única pessoa -com a Paula Santos- a compreender o significado deste post. Beijos.

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