sexta-feira, 15 de março de 2013

Um poema esquecido de José Régio

"Primavera", óleo de José Malhoa


Esmolas

Todos os dias, de manhã, passando
Na sua rua, a encontro já erguida,
Sem estender a mão, mas esmolando,
No xalinho sem cor quase sumida.

Tem dez…, quinze…, vinte anos?
Seu corpito parou… ficou assim.
Mas nos seus olhos, que cresceram, cabe
Todo o oceano azul dos céus sem fim.

“-Deus lhe pague!” –diz-me ela, em paga dessa
Envergonhada esmola que lhe dou.
E o seu olhar, que nada há que meça,
Já me pagou! Já me pagou…

in 16 Poemas Dos Não Incluídos em COLHEITA DA TARDE, breve antologia organizada por Alberto de Serpa, Tipografia Camões da Póvoa do Varzim, 1971, tiragem limitada de 250 exemplares (este poema foi publicado em “pastinhas de quintanistas” de Coimbra, 1943)

6 comentários:

  1. Não conhecia este poema, Manuel.
    Obrigada pela partilha, gostei muito.

    Beijo

    Sónia

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  2. Lindo o poema e a pintura de José Malhoa.
    ADOREI o novo visual do blogue!

    Um beijinho grande e bom fim-de-semana!

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  3. Manuel,
    Gostei muito do poema, do Malhoa e do seu novo visual.
    Tudo uma beleza!
    beijinho. :)

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  4. Sónia, andou por aqui uma grande confusão com a lista de blogues que sigo e apenas hoje consegui recuperar o seu link. Ainda bem que gostou do Régio e do Malhoa. Bom fim de semana e um beijo.

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  5. Isabel, obrigado! Esta foto foi tirada em Londres, no meu cafá preferido, em Chelsea. Bom fim de semana querida amiga!

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  6. Ana, fico contente. Essa fotografia foi tirada em Londres, no meu café preferido, em Fulham, a 100 metros de Chelsea. Bom fim de semana!

    p.s. fica combinada a palestra-conversa em Coimbra.

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