Obra de Francisco Relógio (1926-1997)
Amanhã
Na
hora que vem ao longe,
cresce
e vem, cresce e vem,
-os
que tiverem frio hão-de lançar os meus versos ao lume
e
a chama há-de subir…
-os
que tiverem fome hão-de lançar os meus versos à terra,
como
se fossem estrume,
e
a terra há-de florir…
Os
meus poemas de tragédia são degraus
da
hora que vem,
-cresce
e vem…-
-cresce
e vem…-
Nos
meus poemas cresceu, e sofreu, e aprendeu
nos
meus poemas revoltos,
por
isso vem de longe, nua, nua,
e
traz os cabelos soltos…
Hora
que vens de longe,
de
longe vens, de rua em rua:
-hás-de
passar e parar em toda a parte,
Nua,
formosamente nua,
-para
que já não possam desnudar-te.
Sidónio Muralha, Bêco, Lisboa, 1941

É a esperança... essa que nunca morre!
ResponderEliminarNão pode morrer!
O poema é lindíssimo.
Um beijinho.:))
Gostei muito do poema e da pintura!
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