sexta-feira, 22 de março de 2013

Bom dia... e acredita que hoje começou já o esperado dia de amanhã: livre, justo

Obra de Francisco Relógio (1926-1997)


Amanhã

Na hora que vem ao longe,
cresce e vem, cresce e vem,

-os que tiverem frio hão-de lançar os meus versos ao lume
e a chama há-de subir…
-os que tiverem fome hão-de lançar os meus versos à terra,
como se fossem estrume,
e a terra há-de florir…

Os meus poemas de tragédia são degraus
da hora que vem,
-cresce e vem…-
-cresce e vem…-
Nos meus poemas cresceu, e sofreu, e aprendeu
nos meus poemas revoltos,
por isso vem de longe, nua, nua,
e traz os cabelos soltos…

Hora que vens de longe,
de longe vens, de rua em rua:
-hás-de passar e parar em toda a parte,
Nua, formosamente nua,

-para que já não possam desnudar-te.

Sidónio Muralha, Bêco, Lisboa, 1941

2 comentários:

  1. É a esperança... essa que nunca morre!
    Não pode morrer!

    O poema é lindíssimo.

    Um beijinho.:))

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