sábado, 9 de junho de 2012

Um selecionador de pinha medíocre, todos ao molhe na defesa e uma selecção geométrica que ganhou porque os convidaram a ganhar e uma derrota escusável e absurda

Bento: ordem para estar quieto


Meu avô, que combateu na guerra de 14 nas cavalarias, –de 1914 a 1918, para quem não saiba-,  e que, por acaso (e certamente não por isso), foi um dos conspiradores do 5 de Outubro, dizia-me:

-Calar os alemães, é simples: basta aprisionar o tenente, sem chefe, não funcionam.”

Hoje, os alemães funcionaram de acordo com o selecionador deles: um jogo sempre o mesmo, de geometria adivinhável, apenas com a insistência dos panzeres, quero dizer, dos tanques, e, consequentemente, a falta de imaginação das mulas.

E a nossa seleção recebeu a seguinte ordem de um medíocre, o Bento:

-O que é preciso é não perder!

À partida, já os tinha castrado, o tal Bento:

-Nada de aventuras, nada de riscos!

Aí, eu vi a camionete do Paços de Ferreira a jogar com o Benfica…, ou o Porto…, ou outro assim, dos grandes…

Todos a molhe, para parecerem muitos, e que a bola não passe.

Lá aconteceu um ou outro contra-ataque, porque um homem não é de pau –e até podia ter acontecido um golo, porque os alemães andavam como o tenente deles mandara:

-Avança!, já viste?, eles são tolinhos!

Podia ter sido, mas não foi.

Calhou o contrário: os alemães encontraram o buraco.

Depois, a rapaziada deve ter mandado às malvas o Bento e dominou o jogo, encurralou os alemães e transferiu a vesguice do seleccionador para os adversários…

E o que se viu foi os alemães à nora.

Mais de uma vez, os portugueses poderiam ter empatado… o triste sonho do Bento…

Eis o português obrigado a apresentar-se como um acagaçado.

Obviamente, obrigado a perder.

Obviamente algemado por incapazes… incapazes acagaçados com a ideia de perderam o tacho.

E, agora, ou a malta mete o Bento na ordem (não vale a pena mandá-lo ao oculista, é tarde de mais), ou o último lugar é certinho.


P.S. Já vi que o Fernando Gomes, presidente da Federação de Futebol cá do sítio, disse que somos tão bons como os alemães e que o Pauleta fez o mesmo, deu uma ajuda... Isso lembra-me o Artur Agostinho, há 50 anos, quando perdíamos sistematicamente e dizia que, apesar disso, fora "uma vitória moral"... Nós não precisamos de mentiras; até é verdade: somos capazes de ganhar aos alemães e outros -mas precisamos é de dirigentes competentes.   

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