quarta-feira, 13 de junho de 2012

O amor em Portugal

"O amor, de Tríptico da Vida", 1899-1901, obra de António Carneiro (1872-1930)


Quando, uma vez, certa grande poetisa inglesa quis dar nome a um seu livro de amor -de amor não comum- chamou-lhe Sonetos da Portuguesa.


Eis a abertura do Prefácio Alma Minha Gentil, Antologia  da Poesia de Amor Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa (Portugália Editora, Lisboa, 1957).

A inglesa, que os curadores não identificaram, acertou em cheio: somos um povo de poetas apaixonados –e o melhor da nossa Literatura está escrito em verso.

Régio e Serpa seleccionaram um conjunto de grandes líricos, do século XII ao século XX.

Quis trazer aqui uma obra que deveria ser livro de cabeceira, na terra de Sancho I e de Camões, de António Nobre e de Florbela Espanca.

Distinguir um dos poetas escolhidos por José Régio e Alberto Serpa, seria diminuir todos os outros e muito injusto.

Assim, escolhi 4 das Quadras Populares, de autores anónimos mas do bem deste povo especial:


Eu sou sol e tu és sombra
Qual de nós será mais firme?
Eu como o sol a buscar-te,
Tu como a sombra a fugir-me?

 *****

Aqui estou à tua porta,
Como o feixinho de lenha,
À espera da resposta
Que dos teus olhos me venha.

*****

Costumei tanto os meus olhos
A fitarem-se nos teus,
Que de tanto os ter olhado
Já não sei quais são os meus.

*****

Chamaste-me tua vida
E eu tua alma quero ser
A vida acaba co’a morte
A alma não pode morrer.

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