PALAVRAS
Palavras,
atirei-as
Como
quem joga pedras, lança flores.
Abriram
fendas nas areias.
Suscitaram
carícias e furores.
Sobre
mim recaíram
Pesadas
de multíplices sentidos.
Tenho
os lábios que um dia as proferiram
E
os dedos que as gravaram –já feridos.
Tintas
de sangue as restituo aos ventos.
Prestidigitador
que sou de sons, palavras.
Dá-lhes
novos alentos,
Fogo
sonoro que em mim lavras!
Errantes
lá por solidões imensas,
Com
asas no seu peso, à recaída
Me
tragam, ágeis, densas,
A
resposta final que me é devida.
in Colheita da Tarde, Volume Póstumo organizado por Alberto de Serpa,
Brasília Editora, 1971 (esta poesia foi publicada em “Horizonte”, Artes-Letras
do Jornal do Oeste, 4ª série, nº 479,
Rio Maior, 9 de Junho de 1969. Com data “Vila do Conde, Abril de 69. Régio
morreu no dia 22 de Dezembro de 1969)

Bonito, sem dúvida.
ResponderEliminarBeijinho.:))
Ele é sempre superior...
ResponderEliminarEle é sempre superior...
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