sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A resposta que nunca chega





PALAVRAS

Palavras, atirei-as
Como quem joga pedras, lança flores.
Abriram fendas nas areias.
Suscitaram carícias e furores.

Sobre mim recaíram
Pesadas de multíplices sentidos.
Tenho os lábios que um dia as proferiram
E os dedos que as gravaram –já feridos.

Tintas de sangue as restituo aos ventos.
Prestidigitador que sou de sons, palavras.
Dá-lhes novos alentos,
Fogo sonoro que em mim lavras!

Errantes lá por solidões imensas,
Com asas no seu peso, à recaída
Me tragam, ágeis, densas,
A resposta final que me é devida.

in Colheita da Tarde, Volume Póstumo organizado por Alberto de Serpa, Brasília Editora, 1971 (esta poesia foi publicada em “Horizonte”, Artes-Letras do Jornal do Oeste, 4ª série, nº 479, Rio Maior, 9 de Junho de 1969. Com data “Vila do Conde, Abril de 69. Régio morreu no dia 22 de Dezembro de 1969)




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