sexta-feira, 30 de outubro de 2015

José Régio na intimidade


Casa onde José Régio viveu, em Portalegre, hoje afogada por um monstruoso Centro Cultural que não só esconde Régio como agride o largo belíssimo onde o meteram. Podes ver as costas do tal Centro, bem encostadinhas à Casa Museu de um dos maiores escritores portuguseses...


Na sequência da viagem ao mundo maravilhoso italiano, levei a minha companheira de viagens, dias, meses, anos, ao longo da vida, trouxe-a à sua terra, outra pequena e discreta maravilha, Portalegre.

Calhou encontrar à venda no admirável Museu da Tapeçarias, um livro que nos devolve José Régio, na intimidade: Correspondência Familiar Cartas A Seus Pais, Introdução Notas de António Ventura, edição Caleidoscópio, 2ª edição.

E devolve mesmo: no livro reaparece um grande poeta no seu dia-a-dia, na simplicidade e… na complexidade.

Os que admiram e estima Régio deveriam lê-lo.

Aqui transcrevo duas passagens, qual delas a mais interessante e sempre em cartas para a mãe, que tanto amava:

Podemos lembrar sempre os que partiram sem que isso nos tire o gosto de vivermos para os que ainda nos restam, -pois estes são os que verdadeiramente precisam de nós.” (20.Janeiro.1940)

E, à margem da dor da partida dos que se ama, a dor de ver cortado o direito de escrever:

“O meu livro, embora publicado, tem-me tomado muito tempo porque tenho de o mandar a este e à quele… Mas não estou não estou descontente, porque parece que se vai vendendo menos-mal.” (25. Novembro.1934)

Durou muitíssimo pouco a alegria de ver o seu livro tão procurado: a censura salazarista proibiu-o e os volumes foram confiscados.


    

4 comentários:

  1. Gostei muito do primeiro excerto, que acho muito verdadeiro.

    Estas obras monstruosas e completamente desenquadradas, são uma constante por esse país fora. É uma pena.
    Parece-me que acima de tudo...quem tem mandado é o dinheiro, que tudo pode e tudo compra.

    Então foram uns bons dias em terras alentejanas?

    Um beijinho e desejo-lhe um bom fim-de-semana:)

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  2. Que pena, já não reconhecia a casa, pois quando lá estive não havia esse Centro.
    O livro deve ser curioso. Será que ele queria que fosse publicado?

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  3. É um crime! E o arquitecto tem talento para fazar outra coisa. Souto Moura. Ele não quereria que se publicassem as cartas... Mas não podemos escapar depois demortos...

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  4. É um crime! E o arquitecto tem talento para fazar outra coisa. Souto Moura. Ele não quereria que se publicassem as cartas... Mas não podemos escapar depois demortos...

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