Casa onde José Régio viveu, em Portalegre, hoje afogada por um monstruoso Centro Cultural que não só esconde Régio como agride o largo belíssimo onde o meteram. Podes ver as costas do tal Centro, bem encostadinhas à Casa Museu de um dos maiores escritores portuguseses...
Na sequência da viagem
ao mundo maravilhoso italiano, levei a minha companheira de viagens, dias, meses, anos, ao longo da vida, trouxe-a à sua terra, outra pequena e discreta
maravilha, Portalegre.
Calhou encontrar à
venda no admirável Museu da Tapeçarias, um livro que nos devolve José Régio, na
intimidade: Correspondência Familiar
Cartas A Seus Pais, Introdução Notas de António Ventura, edição Caleidoscópio,
2ª edição.
E devolve mesmo: no
livro reaparece um grande poeta no seu dia-a-dia, na simplicidade e… na
complexidade.
Os que admiram e estima
Régio deveriam lê-lo.
Aqui transcrevo duas
passagens, qual delas a mais interessante e sempre em cartas para a mãe, que
tanto amava:
“Podemos lembrar sempre os que partiram sem que isso nos tire o gosto de
vivermos para os que ainda nos restam, -pois estes são os que verdadeiramente
precisam de nós.” (20.Janeiro.1940)
E, à margem da dor da
partida dos que se ama, a dor de ver
cortado o direito de escrever:
“O
meu livro, embora publicado, tem-me tomado muito tempo porque tenho de o mandar
a este e à quele… Mas não estou não estou descontente, porque parece que se vai
vendendo menos-mal.” (25. Novembro.1934)
Durou muitíssimo pouco
a alegria de ver o seu livro tão procurado: a censura salazarista proibiu-o e
os volumes foram confiscados.

Gostei muito do primeiro excerto, que acho muito verdadeiro.
ResponderEliminarEstas obras monstruosas e completamente desenquadradas, são uma constante por esse país fora. É uma pena.
Parece-me que acima de tudo...quem tem mandado é o dinheiro, que tudo pode e tudo compra.
Então foram uns bons dias em terras alentejanas?
Um beijinho e desejo-lhe um bom fim-de-semana:)
Que pena, já não reconhecia a casa, pois quando lá estive não havia esse Centro.
ResponderEliminarO livro deve ser curioso. Será que ele queria que fosse publicado?
É um crime! E o arquitecto tem talento para fazar outra coisa. Souto Moura. Ele não quereria que se publicassem as cartas... Mas não podemos escapar depois demortos...
ResponderEliminarÉ um crime! E o arquitecto tem talento para fazar outra coisa. Souto Moura. Ele não quereria que se publicassem as cartas... Mas não podemos escapar depois demortos...
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