"Jardim das Delícias", obra de Hieronymus Bosch
Este é tempo pobre, tempo estéril e desesperado por isso, porque o sabe e sofre.
Superficial,
inconsequente, a agarrar o fácil, incapaz de criar.
Um borbulhar inútil.
Uma fuga.
A impotência e o
onanismo que abrem a estrada da soledade e as portas do bordel.
Improvisam-se castelos
de areia, que logo se desfazem.
E onde enterraram ou
esconderam os que revelaram a alma portuguesa?
Qu’é dos grandes, dos
génios, dos Mestres? Qu’é do poeta? Do santo?...
“O
poeta e o santo sabem que mais facilmente existe nas regiões sombrias da
sociedade e das almas a brasa soterrada capaz de ser claridade, do que naquelas
camadas (das almas ou das sociedades) que o egoísmo estreito, o baixo utilitarismo,
o cobarde comodismo beato e a estupidíssima felicidade da besta babando-se empederniram.”
Isso escreveu José
Régio em António Botto e o Amor, Editora
Livraria Progredior, Porto, 1937.
E aqui vo-lo deixo,
quando tão pouco ou nada se pensa e escreve a sério.
E pouquíssimo se invoca
o genial, precioso escritor…
Presumo que se refira a António Sérgio, ensaísta de boa cepa. Um quase filósofo. Por que razão haveria o nosso tempo pobre, de lembrar tal pessoa que até pensava por sua cabeça e o escrevia?! António Sérgio não rima com o vento que nos varre da história.
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