sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Um Ferragosto em 1986 e o milagre de estar vivo e ali...


Vista da Piazza del Popolo, num Ferro Agosto qualquer, em Roma

Este dia foi um dos dias -ou das manhãs- mais felizes que vivi nos anos mais felizes da minha vida –os 15 que vivi em Itália.

Aconteceu no Ferragosto de 1986.

No dia 15 de Agosto de 1986.

Passaram quase 30 anos e Roma modificou-se, para pior.

A invasão dos bárbaros, o fluxo inestancável de turistas abstrusos, coleccionadores de terras e lugares como quem colecciona tampinhas de cerveja ou caracóis, deturpou-a, insultou-a, ofendeu-a.

No Ferragosto, Roma esvazia-se -os romanos partem- e era e é suficientemente grande para que se descubram lugares tranquilos.

A vasta Piazza del Popolo não sofreu, ainda, a destruição de que se queixa a Piazza Navona ou a Piazza di Spagna.

Em 1986, era pacatíssima e, nessa manhã que refiro, silenciosa.

Sentado no Café Rosati, diante de um copo de prosseco, vinho branco fresquíssimo, delicioso, abandonei-me, horas a fio, ao instante que nunca mais se repete e traz consigo a eternidade.

Acompanhava-me X., uma jovem portuguesa, amiga fiel, espírito virgem e também ela fascinada com a paz, o silêncio, a beleza extraordinária de duas igrejas irmãs que, lá ao fundo da praça, guardam duas obras-primas de Caravaggio.

E tudo aconteceu e passou -vibrando, porém, com o meu coração.

As time goes by…
   

  
Notícia:

http://sobreitalia.com/2010/07/29/ferragosto-fiesta-tradicional-de-italia/


Café Rosati, Piazza del Popolo, Roma

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