Vista da Piazza del Popolo, num Ferro Agosto qualquer, em Roma
Este dia foi um dos
dias -ou das manhãs- mais felizes que vivi nos anos mais felizes da minha vida –os
15 que vivi em Itália.
Aconteceu no
Ferragosto de 1986.
No dia 15 de Agosto de 1986.
Passaram quase 30 anos e Roma modificou-se, para pior.
A invasão dos bárbaros,
o fluxo inestancável de turistas abstrusos, coleccionadores de terras e lugares
como quem colecciona tampinhas de cerveja ou caracóis, deturpou-a, insultou-a,
ofendeu-a.
No Ferragosto, Roma
esvazia-se -os romanos partem- e era e é suficientemente grande para que se descubram lugares
tranquilos.
A vasta Piazza del Popolo não sofreu, ainda, a
destruição de que se queixa a Piazza Navona ou a Piazza di Spagna.
Em 1986, era pacatíssima e, nessa manhã que refiro,
silenciosa.
Sentado no Café Rosati,
diante de um copo de prosseco, vinho
branco fresquíssimo, delicioso, abandonei-me, horas a fio, ao instante que
nunca mais se repete e traz consigo a eternidade.
Acompanhava-me X., uma
jovem portuguesa, amiga fiel, espírito virgem e também ela fascinada com a paz,
o silêncio, a beleza extraordinária de duas igrejas irmãs que, lá ao fundo da
praça, guardam duas obras-primas de Caravaggio.
E tudo aconteceu e passou -vibrando, porém, com o meu coração.
As
time goes by…
http://sobreitalia.com/2010/07/29/ferragosto-fiesta-tradicional-de-italia/
Café Rosati, Piazza del Popolo, Roma


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