sábado, 22 de junho de 2013

E até ao meu regresso, amigos!

Algures em Porto Covo


O VAGABUNDO DO MAR

Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.

Manuel da Fonseca in Poemas Completos, Iniciativas Editoriais, 1958  

3 comentários:

  1. Manuel, desejo que passem uns excelentes dias em Porto Covo!

    Que a maré esteja à feição e os ventos favoráveis, para saborear a vida e esquecer as tempestades!

    Boa viagem e até ao regresso!!

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  2. Muito bonito o poema.
    Boa viagem e bom descanso!
    Um beijinho!

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