Obra de Manuel Ribeiro de Pavia
CHARNECA
EM FLOR
Enche
o meu peito, num encanto mago,
O
frémito das coisas dolorosas...
Sob
as urzes queimadas nascem rosas...
Nos
meus olhos as lágrimas apago...
Anseio!
Asas abertas! O que trago
Em
mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me
as palavras misteriosas
Que
perturbam meu ser como um afago...
E,
nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo
a minha mortalha, o meu burel,
E,
já não sou, Amor, Soror Saudade...
Olhos
a arder em êxtases de amor,
Boca
a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou
a charneca rude a abrir em flor!
Florbela Espanca in Obras Completas de Florbela Espanca, Volume
II, Publicações Dom Quixote, 1985***
***o manuscrito deste soneto encontra-se na Biblioteca Pública de Évora, onde foi depositado por Guido Batelli cujo recebera em carta da poetisa, datada de 27 de Julho de 1930

Belíssimo o quadro e o poema!
ResponderEliminarFazia já as malas rumo ao Alentejo!!
Beijinhos.:))
Cláudia, eu se fosse a si esperava até Outubro... Começa a estar impraticável... Mas é sempre lindo! Beijos.
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