Óleo de Berthe Morisot
NOCTURNO Nº I
Varanda.
(Não sei de craveiro
que esteja tão certo.)
A menina espreita.
Ai!, o largo é deserto.
É deserto o largo
mas ela não crê.
(Num banco do jardim
está um namorado
que só ela vê.)
Está um namorado
que nunca lhe fala.
(Pobre namorado
tão alheio ao sonho
ali debruçado...)
Entanto ela espera.
Entanto ela crê
no jardim, no banco
e no namorado
que só ela vê.
Eugénio de Andrade in
Pureza, Desenhos de Manuel Ribeiro de Pavia, Livraria Francesa, Lisboa, 1945***
***retirado do mercado pela Censura do regime salazarista
***retirado do mercado pela Censura do regime salazarista

Belíssimo!
ResponderEliminarGrande Eugénio de Andrade!
Beijinhos.:))
Cláudia, este livro é raríssimo. Um livro singelo e puro. Mas a miséria do botas de Santa Comba & seus pistoleiros proibiram-no...
ResponderEliminarMais outro belíssimo poema.
ResponderEliminarDeve ser um livro bonito, com os desenhos a completá-lo.
Um beijinho e obrigada por trazer aqui a beleza!