No Le nouvel
Observateur da semana passada topei um artigo/notícia de Jérôme Garcin, crítico
inteligente, sensível e aliterato,
sobre o livro de Jérôme Michel, Un jeune
mort d’autrefois. Tombeau de Jean-René Huguenin.
Foi breve, a vida de Huguenin: 26 anos –morreu ao volante, um
Mercedes 300 SL, no dia 22 de Setembro de 1962.
Então, soube da sua existência e do seu único livro, La Côte Sauvage.
Era, quando morreu, uma promessa da Literatura Francesa,
saudado e elogiado, de François Mauriac a Louis Aragon. Surpreendera escritores
daqui e dali .
Só comprei o livro, que me deslumbrou, apaixonou, em 1964.
Ainda hoje o releio, tal qual o seu Journal (Diário),
publicado nesse mesmo ano de 1964.
Sobre Huguenin escrevi, no extinto Diário Popular, e noutros lugares, ao longo dos anos.
Impressionou-me, tocou-me fundo, a sua força, a beleza das
suas páginas, a independência e a coragem.
Naturalmente, já encomendei a obra de Jérôme Michel (Éditions
Pierre-Guillaume de Roux, 192 pgs., 19,90 euros).
Transcrevo do Journal de
Huguenin, duas passagens; a primeira, datada de 14 de Setembro de 1958:
“(…) uma raça que
odeio, a raça do intelectual obcecado pela linguagem, a palavra pela palavra,
fechado em si próprio como um parafuso sempre crescente, completamente cortado
do mundo, envolvido e vestido de literatura, protegido das soberbas fecundas
feridas da revolta.”
A segunda passagem, datada de 20 de Setembro de 1962, dois dias
antes do acidente que o vitimou:
“Antes de tudo,
reencontrar a minha força e o meu coração. O inferno é agirmos contra a nossa
vontade. (…) Não hesitar, nunca mais recuar diante de nada. Ir até ao limite de
todas as coisas, sejam elas o que forem. Não ouvir senão o próprio
imperialismo.”


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