sexta-feira, 12 de abril de 2013

Uma morte prematura: Jean-René Huguenin

Jean-René Huguenin


No Le nouvel Observateur da semana passada topei um artigo/notícia de Jérôme Garcin, crítico inteligente, sensível e aliterato, sobre o livro de Jérôme Michel, Un jeune mort d’autrefois. Tombeau de Jean-René Huguenin.

Foi breve, a vida de Huguenin: 26 anos –morreu ao volante, um Mercedes 300 SL, no dia 22 de Setembro de 1962.

Então, soube da sua existência e do seu único livro, La Côte Sauvage.

Era, quando morreu, uma promessa da Literatura Francesa, saudado e elogiado, de François Mauriac a Louis Aragon. Surpreendera escritores daqui e dali .

Só comprei o livro, que me deslumbrou, apaixonou, em 1964.

Ainda hoje o releio, tal qual o seu Journal (Diário), publicado nesse mesmo ano de 1964.

Sobre Huguenin escrevi, no extinto Diário Popular, e noutros lugares, ao longo dos anos.

Impressionou-me, tocou-me fundo, a sua força, a beleza das suas páginas, a independência e a coragem.

Naturalmente, já encomendei a obra de Jérôme Michel (Éditions Pierre-Guillaume de Roux, 192 pgs., 19,90 euros).

Transcrevo do Journal de Huguenin, duas passagens; a primeira, datada de 14 de Setembro de 1958:

“(…) uma raça que odeio, a raça do intelectual obcecado pela linguagem, a palavra pela palavra, fechado em si próprio como um parafuso sempre crescente, completamente cortado do mundo, envolvido e vestido de literatura, protegido das soberbas fecundas feridas da revolta.”

A segunda passagem, datada de 20 de Setembro de 1962, dois dias antes do acidente que o vitimou:

“Antes de tudo, reencontrar a minha força e o meu coração. O inferno é agirmos contra a nossa vontade. (…) Não hesitar, nunca mais recuar diante de nada. Ir até ao limite de todas as coisas, sejam elas o que forem. Não ouvir senão o próprio imperialismo.”

Passados 51 anos, esse jovem que morreu antes do tempo, é preciosa e dramaticamente actual. 

    

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