terça-feira, 20 de março de 2012

A solidão é filha do medo e o medo é filho do egoísmo


Caixões de vivos

Como eu era um pequeno-burguês, não tinhamos vizinhos. Só nos bairros populares é que as pessoas falam de janela para janela, de porta a porta, na rua. Só nos bairros populares é que a pessoas apertam a mão. A gente com dinheiro eventualmente cumprimenta-se na escada. Dizem: “A senhora do terceiro andar tem um cão engraçado”; ou: “Parece que o velhote do quarto andar está a morrer.” De resto, é cada um na sua casa, cada um por si. Só os pobres se encontram, porque são os únicos que se ajudam uns aos outros.”

Claude Roy, in  Moi Je, Gallimard, 1969

Passados 42 anos, a relação humana piorou: é uma esquisita procissão de mortos-vivos...

7 comentários:

  1. De mortos e mortos, de solidão e mágoa. Não é vida, é vegetar!

    Beijinhos

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  2. O dia a dia a isso obriga.
    Por cá, ainda conhecemos os vizinhos, ainda nos ajudamos uns aos outros, pelo menos alguns tentam
    Beijos doces

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  3. Carlota, ao dia a dia só obriga quem se deixa obrigar.

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  4. Carlota, o dia a dia só obriga quem se deixa obrigar.

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  5. As pessoas vivem muito metidas consigo e com a sua vida.Não se convive. Lembro com saudade o tempo em que em garota, se vinha para a rua, no tempo bom. Os miúdos brincavam, e as mães e avós conversavam (também criticavam muito...)e faziam renda. Ia-se à mercearia e conversava-se. Todos se conheciam.
    Hoje isso já não é possível.
    É pena.
    Um beijinho

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  6. Isabel, assistimos a um "progresso" que é retrocesso e destrói as relações humanas.

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