
A República entra, hoje, no segundo século de existência.
O imenso e trágico atraso cultural do país deitou-a abaixo, em Maio de 1926.
Homens com o perfil extraordinário de Manuel Teixeira-Gomes, Afonso Costa, António José de Almeida, não conseguiram impor o ideal democrático, o Estado social e alfabetizador, que sonhavam.
Os restos da corrupção da monarquia, um bando de ultramontanos, uma maioria de ignorantes conduzidos por caciques às ordens da minoria privilegiada, e tudo isso abençoado por uma Igreja cavernosa e capaz de inventar milagres,
esse movimento retrógrado, reaccionário, castrador e anquilosador, fechou, durante quarenta e oito anos, as janelas que deixariam passar o ar livre e arrancar Portugal à eterna idade média.
O 25 de Abril de 1974 repôs a liberdade e a democracia.
Em plena crise e apesar do governo não ser, e com certeza o não é, o governo ideal, não há razão para desespero.
Há a obrigação de defender e garantir a democracia, um Estado social, um Estado protector, realmente ameaçado de sufocação.
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