segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Bom dia! Trago-te uma sugestão: se amas Mário de Sá-Carneiro, atenta nela!



Mário de Sá-Carneiro é filho do purinho: de António Nobre.


Dividem o mesmo lirismo singelo e dolorido, a mesma paixão irrealizada e a delicadeza dos príncipes das Escócias que só eles visitaram e cuja nostalgia os ilumina.


Andam os dois comigo, desde a adolescência e abro os seus livros doce, religiosamente.


Às vezes, muitas vezes, preciso de falar deles e de ouvir alguém acrescentar o muito que ainda não sei dos dois.


Talvez gostes de Sá-Carneiro.


Lembrei-me de te deixar aqui notícia de um livro, rico e denso, inteligente e sensível, sobre o suicida de Pigalle, “o esfinge gorda”, o poeta a quem a midinette, à esquina da Rue Frochot, ao ver passar o enterro tosco e trágico, a que só faltou o burro desejado por Sá-Carneiro, ofereceu o ramo de violetas que lhe enfeitava a blusa.


“-Quem vai dentro do caixão?”, perguntou.


“-Um poeta português que se matou por amor...”



E ela correu e deixou-lhe, presas das cordas que seguravam o esquife, as flores.



“-Um poeta que morreu de amor... Como eu o teria amado!”

-------------------------------------------


Sobre João Pinto de Figueiredo:


4 comentários:

  1. Sim, eu gosto MUITO de Sá-Carneiro. Obrigada!
    Boa semana
    Luísa

    ResponderEliminar
  2. Gosto muito de Sá Carneiro!
    Gostei de o rever.
    A nostalgia faz parte de "ser português", não é?
    A associação das suas leituras é interessante, nunca experimentei essa vertente.
    Aqui também caberia Régio, não é?
    :)

    ResponderEliminar
  3. Não tens nada a agradecer! No caso, agradecerias ao poeta e ao excelente leitor/ ensaísta Pinto de Figueiredo. Um beijo.

    ResponderEliminar
  4. Ana, certamente o Régio tem a ver com Sá-Carneiro.

    Régio escreveu um excelente ensaio sobre ele, "O fantástico na Obra de Mário de Sá-Carneiro", publicado em "Ensaios de Interpretação Crítica", e uma peça, "Mário ou eu próprio-o outro", publicado em "Três Peças em um Acto".

    Eu relaciono os uatores que... se relacionam...

    Manuel Poppe

    ResponderEliminar