
Mário de Sá-Carneiro é filho do purinho: de António Nobre.
Dividem o mesmo lirismo singelo e dolorido, a mesma paixão irrealizada e a delicadeza dos príncipes das Escócias que só eles visitaram e cuja nostalgia os ilumina.
Andam os dois comigo, desde a adolescência e abro os seus livros doce, religiosamente.
Às vezes, muitas vezes, preciso de falar deles e de ouvir alguém acrescentar o muito que ainda não sei dos dois.
Talvez gostes de Sá-Carneiro.
Lembrei-me de te deixar aqui notícia de um livro, rico e denso, inteligente e sensível, sobre o suicida de Pigalle, “o esfinge gorda”, o poeta a quem a midinette, à esquina da Rue Frochot, ao ver passar o enterro tosco e trágico, a que só faltou o burro desejado por Sá-Carneiro, ofereceu o ramo de violetas que lhe enfeitava a blusa.
“-Quem vai dentro do caixão?”, perguntou.
“-Um poeta português que se matou por amor...”
E ela correu e deixou-lhe, presas das cordas que seguravam o esquife, as flores.
“-Um poeta que morreu de amor... Como eu o teria amado!”
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Sobre João Pinto de Figueiredo:
Sim, eu gosto MUITO de Sá-Carneiro. Obrigada!
ResponderEliminarBoa semana
Luísa
Gosto muito de Sá Carneiro!
ResponderEliminarGostei de o rever.
A nostalgia faz parte de "ser português", não é?
A associação das suas leituras é interessante, nunca experimentei essa vertente.
Aqui também caberia Régio, não é?
:)
Não tens nada a agradecer! No caso, agradecerias ao poeta e ao excelente leitor/ ensaísta Pinto de Figueiredo. Um beijo.
ResponderEliminarAna, certamente o Régio tem a ver com Sá-Carneiro.
ResponderEliminarRégio escreveu um excelente ensaio sobre ele, "O fantástico na Obra de Mário de Sá-Carneiro", publicado em "Ensaios de Interpretação Crítica", e uma peça, "Mário ou eu próprio-o outro", publicado em "Três Peças em um Acto".
Eu relaciono os uatores que... se relacionam...
Manuel Poppe