sábado, 2 de janeiro de 2010

Albert Camus morreu há 50 anos

Albert Camus, 1913-1960



La verdad transparente de Camus

por José María Ridao




Albert Camus no dejó nunca de ser un escritor leído, pero sólo la publicación póstuma del manuscrito inacabado de El primer hombre, en 1994, derribó las últimas barreras que habían impedido considerarlo como lo que fue, uno de los más grandes del siglo XX. Las últimas barreras eran, en realidad, una sola: el anatema lanzado contra él por Sartre y su camarilla de Les temps modernes tras la publicación de El hombre rebelde, donde Camus cuestionaba el papel que la izquierda intelectual asignaba a la violencia revolucionaria. La sobrecogedora belleza de El primer hombre, la novela en la que trabajaba cuando, el 4 de enero de 1960, le sorprendió la muerte en un accidente de automóvil, no fue ajena a este cambio en la apreciación de la obra de Camus, pero seguramente no lo explica por sí sola. Porque la principal aportación de El primer hombre a la obra de un autor que ya había publicado novelas indiscutibles como El extranjero o La peste iba más allá de su excepcional mérito literario: mostraba lo que en vida Camus jamás mostró, huyendo del exhibicionismo al uso entre artistas e intelectuales de todas las épocas; mostraba la experiencia íntima desde la que había concebido la totalidad de sus libros y de sus posiciones políticas y morales.


Ante los asombrados lectores de El primer hombre aparecía desnudo por primera vez, sin las máscaras de la ficción o las deliberadas opacidades del ensayo, un mundo de fascinante belleza y, a la vez, de aterradora miseria, que no era otro que el mundo argelino en el que Albert Camus pasó su infancia y primera juventud. El escritor que recibiría el premio Nobel en 1957 y al que poco después darían la espalda quienes ingenuamente había considerado sus iguales, sin advertir desde una desarmante humildad que su calidad humana e intelectual era infinitamente superior a la de ellos, describe con la ternura de la que sólo son capaces quienes deciden celebrar la vida por encima de todas las adversidades a una madre vestida de negro y analfabeta, sin otra diversión cuando regresa de su trabajo de doméstica que contemplar en silencio la calle desde un balcón. Describe, además, al maestro que creyó en él y lo libró de abandonar la escuela para buscar un salario de huérfano que aliviara las imperiosas necesidades de una casa donde lo único que había eran elementales virtudes humanas, como respeto y amor. Describe, en fin, el momento en que visita por primera vez la remota tumba del padre, caído como poilu en la guerra del 14, y descubre con un estremecimiento de asombro que él, el hijo, es ahora mucho mayor que el padre cuando murió y cuya imagen casi adolescente apenas consigue recordar: sus sentimientos filiales quedan de pronto desplazados por un incontenible torrente de compasión hacia una vida joven truncada, y la historia se le aparece como un monstruo mitológico que sacrifica en la fatuidad de su fuego seres humildes y anónimos.


Era desde este mundo, desde esta experiencia íntima descrita en El primer hombre, desde donde Camus siempre había hablado. Las polémicas muchas veces maliciosas en torno a alguna de sus tomas de posición, como aquélla en la que, refiriéndose a Argelia, aseguró que entre la justicia y su madre, escogería a su madre, cesaron de inmediato. Y no porque se reconociese por fin que Camus no se equivocaba, sino porque, gracias a las páginas absorbentes, conmovedoras de El primer hombre, se descubría que el dilema era, en efecto, un dilema. La justicia a la que Camus se refería era, sin duda, la justicia; pero también la madre era la madre, no un recurso estilístico para subrayar el contraste entre los términos abstractos y concretos. La bruma de sospecha, e incluso de desprecio, que envolvía su obra desde el anatema lanzado contra ella por Sartre y su corte de Les temps modernes comenzó a disiparse. Camus podía no ser un intelectual con sólidas bases académicas, según le acusaron, pero tuvo razón frente a sus contradictores bien pertrechados de títulos y posiciones universitarias. Tuvo razón, por descontado, al condenar el abyecto papel que la izquierda intelectual asignaba a la violencia revolucionaria. Pero también al ser uno de los pocos escritores que, junto a Günther Anders y Karl Jaspers, condenó las bombas de Hiroshima y Nagasaki. O al negarse a establecer identidad alguna entre Alemania y el nazismo, interpretando el desenlace de la guerra como una victoria, no de unos países sobre otros, sino de los hombres y mujeres de cualquier nacionalidad comprometidos con la libertad sobre quienes abrazaron la causa del totalitarismo. O al defender desde la dirección de Combat la necesidad de que quienes dirigen o escriben en los periódicos arrostren con orgullo, incluso con soberbia, las consecuencias de su independencia frente al poder.


Hoy, a los 50 años de la muerte de Camus, las tornas han cambiado, y son sus contradictores en vida quienes han perdido el reconocimiento. No a causa de un anatema equivalente al que lanzaron contra el autor de El hombre rebelde, sino de la verdad transparente a la que siempre se mantuvo fiel Albert Camus.


transcrito, com a devida vénia, de El Pais, 02/01/2010

'O Pássaro de Vidro' -IX

óleo de Georges Braque



E, nessa confusão de sentimentos, decidiu ler a carta de Luísa, que adiara, convencido da inconsequência. Enganava-se.

“Acusas-me de ter escondido e de ter feito batota. Tens razão. Escondi o que nunca compreenderias –a minha liberdade. Julgava que reservava o direito a ser eu. Meu amor! Se calhar, enganei-me, deveria tê-lo sido contigo, mas é muito difícil. Quantas vezes me ouviste? Nem sequer deste por mim. O amor não é só palavras. Escaparam-te os meus gestos. E tu ias e não voltavas. Ou voltavas muito tarde, eu já estava cansada, queria dormir. Não te queria, tens razão, queria dormir! Às vezes, as pessoas estão cansadas e querem dormir. Só isso. As pessoas são iguais umas às outras. Nada de extraordinário. Não achas? Ou vais acusar-me, outra vez, de frieza, de secura? Tu também não és extraordinário. Julgavas que eu era? Julgas que és? Não, Andrea, somos gente comum. O nosso amor foi um grande amor ou foi uma história banal? Amei-te, quando esperei em ti. Depois, pouco a pouco, regressei a mim própria. De onde partimos, não é verdade? Onde voltamos, sempre, não é verdade? Talvez não me tenhas feito menos feliz do que me faria qualquer outro. Hoje, não sou uma mulher feliz, nem infeliz, sou uma mulher. Trabalho, como, durmo. E basta-me. Desiludiste-me? Sim, mas isso já passou. Já esqueci. E eu desiludi-te, eu sei. Não te culpes. Sou eu que te peço desculpa por não ser feita para ti. Mas isso é uma culpa? Devia ter pensado antes? E tu? Não devias ter pensado? Aconteceu. E, depois, um dia, já não precisavas de mim e eu já não precisava de ti. Não tinha força para te ir buscar. E, se fosse, tu virias? Duvido. Agora, que passaram estes anos, percebo melhor. De que me serve entender que o nosso amor era frágil e superficial? Carnal. E a carne cansa mais depressa do que o espírito. Dizem...”

O espírito? Andrea repetiu, para si: “cansa mais depressa do que o espírito...” Mas o que é que cansa mais depressa? O coração? Uma aliança estabelecida sabe-se lá como e onde e que une as pessoas, para sempre? Ou o desejo, que se impõe, cego? Nunca tinham falado nessas coisas, nem ele pensara que aquela mulher, independente, pragmática, quase severa –e, no entanto, ardente e generosa-, se preocupasse com elas... com essas coisas vulgares, como ela parecia querer dizer.

“Não me perguntes se sou feliz. Aliás, como irias perguntar-me? Interessa-te? Não quero que respondas à minha carta. E não me perguntes por que a escrevi. Continuaríamos a enganar-nos. Fizemos isso, durante muito tempo. Demais. Ficaram cicatrizes e tu, que és médico, sabes que as cicatrizas, às vezes, sangram. Abrem, sem nós darmos conta. As dores do corpo lava-as Deus, as da alma nunca saram. Talvez eu esteja a tentar, mas dói. Talvez procure companhia para a minha dor, queira dividi-la, agora, contigo. És, ainda, quem está mais perto. É verdade. Não me perguntes pelo homem com quem vivo. Concluo que, separados, definitivamente separados, a nossa intimidade, boa e má, muito má mesmo, nos agarrou. Sim, talvez me vingue e, afinal, me rebaixe, agora. Não tenhas pena. Conheces-me, sou orgulhosa, acusavas-me de o ser. Não temas por mim. Enganei-te? Enganaste-me? Que importa? Se abrires a janela, vês o céu azul, as nuvens. O resto vale pouco. Carpe diem. Goza o teu dia. Não há mais. Olha que foste tu quem me ensinou! Há quem escolha o ódio para destruir o que amou. É um modo de enterrar as paixões e, depois, odeiam-se com a mesma paixão com que se amaram. É ridículo e igualmente doloroso. Não quis isso.”

Hesitou. Pousou a carta. Levantou-se. Para quê continuar? Mas voltou a sentar-se e a pegar-lhe. Ela própria o dizia. Reclamava-o.

“Tu ensinaste-me! Isso e muitas outras coisas. Julgas que não? Eu escondia, realmente, assim tão bem? Não vias?! Ou não és suficientemente inteligente para ver? Ou não querias ver o que há em mim? Tu é que viravas a cara! Ias inventando! Inventaste-me! A nossa vida era uma invenção! Falsa! Custou muito libertar-me. Sofri. Ao que nos tinhas reduzido! E o que me roubaste! Dei-te o meu corpo, a minha dedicação, o meu amor! Ouve, finalmente, ouve: dei-te o meu amor! Depressa o desprezaste. Não o soubeste guardar. Tiveste medo, Andrea? Não tens remorsos? Que te ficou nas mãos? O nosso filho? De uma coisa podes estar certo: não me roubas o meu filho! E fica a saber, também, que não me resta só o meu filho, existo, respiro, vivo! Posso abrir a janela sozinha. Sem ti! E tu? Ainda poderia dizer-te que...”

Dobrou a carta e guardou-a na gaveta.

Um poema de Eugénio de Andrade a iluminar os dias cinzentos...

óleo de Chagal



Os Amantes sem dinheiro



Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham legendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos românticos
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos,
e deslumbrado penetrava nos espaços
.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

'O Pássaro de Vidro' -VIII

"...quem sabe o que vai na cabeça de um homem?", Camilo ***



Essas frases rimavam com as outras: compunham o tecido em que se juntavam a fragilidade e a determinação; a verborreia e a verdade; e a maneira como continuava a andar, mesmo cheia de úlceras. Eram as feridas que a iam cobrindo, porque a inconsciência dela não a defendia de nada e ela continuava a pagar o preço da vontade de sair de si. Esquecia as feridas ou escondia-as, porque a ajudavam a viver e sabia que eram a prova da sua honestidade. Mas não lhe resolviam a solidão. Ficava-lhe, sempre, a agressividade e o desejo de que gostassem dela. Era talvez isso o que levava os outros a gostarem dela. Não ignorava as dificuldades, e punha-se a rir.


Não conhecia Andrea aquela Lorenza, nem entendia por que o procurava se, tantas vezes, o recusara. Apanhava com outra luz em cheio, mas preferia evitá-la. Afinal, na viagem à Grécia, não matara a fome? Não fora feliz longe dele? E, se isso era verdade, se tinha dificuldades, se continuava a berrar, e a berrar por ele, por que não percebera que era com ele que poderia ser feliz? Comprazia-se Andrea em pensar que se ela se lhe tivesse entregado tudo teria sido diferente e que talvez fosse menos infeliz. As cartas de Lorenza compensavam-no das humilhações que ela lhe infligira. Lembrava-se da vez em que, à frente de Michele Borin, um amigo comum, lhe dissera:


— Não tenho tempo, tenho de estudar! Por que é que não procuras outros amigos?


E, depois de sorrir para o outro, pôs a mão na dele e acrescentou:


— Não leves a mal. Estou muito cansada.


Dessa vez, ficou-lhe a ideia de que Lorenza troçava. Mas, e era o pior, que precisava dele. Era o pior, por isso: porque, se precisava dele e ele gostava dela, tinha de lhe perdoar as ofensas. Desarmava-o, agarrando-lhe a mão.


Agora, escrevia-lhe, a falar-lhe das insatisfações e dos malogros. Não havia outros amigos, os amigos com quem viajara?. Ele nem sequer tinha a certeza de saber pegar-lhe. Ela chegava, com a ingenuidade, e mesmo na ironia lhe parecia pura. E o que é que ele ia fazer-lhe? Ia acreditar nela? Era tudo vago: não tinha a certeza de a querer, nem a certeza de que ela o quisesse. Ela agitava-se e, se isso o impressionava, não o convencia de que valesse a pena ficar ao lado dela. Era outro mundo que o perturbava. Quem eram os amigos, além dos dois ou três comuns? E a sua família? Onde vivia? E por que é que depois de escrever as cartas lhe fugia, fingia que não estava em casa, não o queria ver? Restavam-lhe os sinais que lhe mandava: as cartas e o que dizia ao telefone —porque, mesmo quando era educada, quando não dizia disparates, era-o excessivamente e o excesso significava qualquer coisa. Pouca coisa, porém: não chegava para o acalmar. Era capaz de mandar iguais sinais a outras pessoas: um para aqui, outro para ali. E via-se ao espelho, no espelho que os outros representavam. Que importância tinham para ela? Em S. Marco, não quisera que a compreendesse. Depois, trocara-lhe as voltas. Agora, contava-lhe as desgraças, como as contaria a qualquer pessoa. Sabia lá ela se ele a entendia! Contradições, altos e baixos, também os tinha! Mas, queria entendê-la. O seu amor acabava por vencer o medo.


Seria isso? Talvez. Ou talvez se tratasse de uma esperança muito concreta: a de sair com ela do buraco onde estava, a de, ao responder-lhe, ao ajudá-la, se ajudar. A verdade é que a ideia de acudir a Lorenza o entusiasmava e transformava numa pessoa mais decidida e mais simples.


— O Andrea não parece o mesmo... — diziam os amigos.


E não era: comportava-se de outra maneira, mas talvez não de maneira mais simples: a sua vontade, o seu entusiasmo, resvalavam, pouco a pouco, para o consentimento. Aceitaria, a iludir-se com diversões e agressões, o jogo dela.


E, um dia mais tarde, haveriam de perguntar-lhe (e ele de perguntar a si próprio):


«Achas que, ao dizeres-lhe coisas para as quais a resposta era fácil, te aproximavas dela? Achas que a ajudaste, realmente, quando te limitaste a dizer-lhe aquilo de que ela precisava para continuar a ser como era? E eras tu que ficavas contente porque tinhas feito uma boa acção? Achas que lhe fazias bem, quando a condenavas mas não te afastavas, irremediavelmente, dela? Valeu a pena? Era isso o que vocês queriam? Não lavaste as mãos e não a deixaste ir a arder e tu, cá em baixo, agarrado à tranquilidade da tua consciência, ou à tranquilidade que procuravas, mesmo que não fosse a da tua consciência?»
***desenho de Botticelli

Desacordo ortográfico: que se processem os imbecis que andam p'r'aí a mexer no que não sabem!

in Cravo & Ferradura, Diário de Notícias, 01/01/2010

O novo ano que Portugal merece e de que precisa:

...vamos deitar fora o que não presta e exigir e construir um mundo novo!...



Precisa, URGENTEMENTE, de:



-um Ministério da Educação que vá além de histórias da carochinha e defenda e prestigie os professores e ajude os alunos a aprenderem,

-um Ministério da Cultura onde se perceba que para realizar seja o que for e arrumar a casa é indispensável entender que a Cultura é o alicerce de tudo e quando se gasta dinheiro com Cultura nunca é a fundo perdido,

-uma política social que estimule quem trabalha e arranque à miséria os desempregados, garantido-lhes o direito ao trabalho e não aldrabe o Zé Povinho com a treta do aumento de esperança de vida (que é só para privilegiados) e garanta e pague pensões e reformas decentes,

-um Ministério da Saúde que garanta a assistência médica totalmente gratuita,

-uma política fiscal que taxe os ricos e não roube os pobres,

-políticos que se dediquem à política por IDEAIS e não para ganharem a vida,


E É ESSENCIAL, VITAL:

-um centro e uma esquerda que comecem a preparar a escolha, para 2011, de um Presidente da República à altura do cargo.

Nas nossas mãos?...






Edito du Monde

UE, le défi de 20


'Europe n'est pas à la fête. En 2009, les Vingt-Sept sont parvenus non sans difficulté à clore le douloureux chantier institutionnel ouvert près de dix ans auparavant. Le traité de Lisbonne, héritier de la défunte Constitution rejetée par les électeurs français et néerlandais, est entré en vigueur le 1er décembre après un processus de ratification des plus chaotiques. Mais le réveil est douloureux : au moment où elle croyait disposer enfin des moyens de peser davantage dans le monde, l'Union européenne (UE) s'est rendu compte, à Copenhague, qu'elle pouvait être marginalisée sur un terrain, la lutte contre le changement climatique, où elle prétendait démontrer les vertus de son "soft power".

Le Vieux Continent n'a pas pesé lourd face aux intérêts de la Chine et des Etats-Unis, moins enclins à réduire leurs émissions de gaz à effet de serre, et l'Europe n'a pas su les convaincre de suivre son exemple. L'avertissement de Copenhague va bien au-delà du seul enjeu climatique, au moment où l'UE s'apprête à faire fonctionner ses nouvelles institutions.


Herman Van Rompuy, le nouveau président "permanent" du Conseil européen, prend ses fonctions lundi 4 janvier à Bruxelles. La mission de l'ex-premier ministre belge sera de coordonner les travaux des vingt-sept chefs d'Etat et de gouvernement pour donner les grandes impulsions politiques. Il a vocation à devenir l'interlocuteur incontournable de José Manuel Barroso, président de la Commission européenne, dont la nouvelle équipe doit être confirmée par le Parlement européen d'ici à la fin janvier 2010. Sur la scène diplomatique, M. Van Rompuy sera secondé par la Britannique Catherine Ashton. Méconnu du grand public, le tandem doit faire ses preuves et conjurer le risque de cacophonie.


De l'avis général, le traité de Lisbonne donne pourtant aux uns et aux autres des outils inédits pour améliorer le fonctionnement, et l'influence, de l'Europe élargie. Il conforte le rôle du Parlement européen, et rogne le pouvoir de veto des Etats. Mme Ashton fait figure de novice ; sa première tâche sera pourtant de bâtir le service d'action extérieure. Les dirigeants européens sont désormais tenus de s'intéresser à la substance, après tant d'année de nombrilisme institutionnel. Mais ils savent que tout dépendra aussi de la bonne volonté des capitales. M. Van Rompuy ne sera un président du Conseil fort que si les chefs d'Etat et de gouvernement parviennent à agir ensemble. A l'heure où la crise économique met à rude épreuve la solidarité européenne, c'est la grande inconnue de 2010.




transcrito, com a devida vénia, de Le Monde, 01/02/2010