Quando tudo começa...
(pormenor duma obra de Michelangelo Merisi dito o Caravaggio)
Viver ou não viver –eis a questão.
É de cada um única –a vida. E ela não é um objecto usado que
depois se abandona gasto: é a nossa única oportunidade, o curto momento em que
nos interrogamos e realizamos. Na hora final, perguntamos -perguntamos sempre,
nem que no único e ultimo minuto: “o que
foi verdadeiramente a nossa vida?” Ou: “o
que fizemos da nossa vida, da criança, do adolescente, do jovem que eramos?”
Junto aqui dois escritores, a confessarem-se em tempos
aparentemente bem separados –só iguais, irmãos,
na angústia de dar à breve passagem comum de todos que aqui vieram parar.
Raul Brandão (in O
Padre, 1901):
“Não há energia que
resista à luta miudinha de todos os dias –se se tem coração. Embota-se a
vontade, gasta-se a ambição, e em torno os que
adularam ou calcaram sobem, trepam, com risos desdenhosos e ares protectores.
É por isso que quase
todos os rapazes, que até aos vinte anos reclamam justiça e se revoltam, começam,
depois, a entrar no grande rebanho. Soa a hora trágica da vida.”
Claude Roy (in Chemins
Croisés, 1997):
“No momento de morrer,
ele percebeu que se esquecera de viver, mas era já demasiado tarde para que
soubesse o que isso significava.”
E agora é contigo: interpreta como entenderes.
Quando tudo vai acabar...
(idem, Caravaggio)


Já havia o "grande rebanho" em 1901.
ResponderEliminarAinda hoje se verifica o mesmo.
Poucos, vivem tudo aquilo que sempre desejaram.
No livro de Pedro Alvim "O caçador do nada"
o conto Quando o coração tira bilhete diz
em palavras simples o que pode acontecer
quando a morte nem dá tempo para pensar.
Boa noite.