sábado, 9 de julho de 2016

Uma luz na noite



Raúl Brandão (1867-1930)

Agora, em pleno verão, que nunca me agradou, a fugir-lhe e a esquecê-lo, fui buscar, à estante, Raúl Brandão.

Eu sei, poucos o lêem. É uma pena: perdem a genialidade de um escritor português.

Ao calha, topei estas palavras, que trazem o drama de Sísifo: a luta contra quanto destrói o nosso sonho: a vida com sentido.

Aqui vo-las deixo:

“Quanto alta noite, na cidade toda negra, vejo uma janela que ainda luz, me digo: Tu, quem és, tece, tece, inda que tudo é vão, se quebrem os fios e nada te reste por fim: tece, inda que na engrenagem te vão ao certo pedaços de coração, de nervos e de alma…”


in A Morte do palhaço e o Mistério da árvore, Edição de “SEARA NOVA”, Lisboa, 1926




2 comentários:

  1. Húmus de Raul Brandão é um dos meus livros de eleição. Tenho quase todos os livros deste
    excelente escritor. Ainda bem que aqui o
    recordou. Obrigada.

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  2. Eu só neste fim de semana me dei conta que nasceu no Porto, vi-lhe claramente vista a homenagem. Mas tive a sorte de aos 14 ou 15 anos ler "Os pescadores" e "Húmus".

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