quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quando era criança, meu irmão mais velho, o primeiro de nós a partir, precocemente, falava-me com paixão de uma actriz italiana: Alida Valli. Só muitos anos depois, vi filmes em que ela era a estrela, e haveria de me deslumbrar em Senso, de Visconti. Sim, era linda! Por um desses acasos da vida, pude admirá-la, em Roma, na esplanada do café Tre Scalini, já velha senhora, bem próximo do fim. Ainda, então, os sinais da sua extraordinária beleza emocionavam. Escolhi uma mesa perto da dela e, ao invés do que me é tão fácil -solicitar outrem, abrir um diálogo-, deixei-me ficar quieto, emocionado, sim, porque Alida Valli me trazia, também, a saudade do meu irmão perdido. Lembro-a, agora mesmo, revejo a grande senhora, natural e simples, porém, longe deste mundo; os belíssimos olhos presos à luz do pôr o sol e ao que vivera e voltava sempre e guardaria e revisitaria, dentro de si, até ao fim.

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