Imagem da Toscana, Itália
Ao retomar a leitura de Valery Larbaud, enterrado também ele,
há muito, pelos canibais literatos, deparo com o seguinte desabafo, corajosa
confissão de A. O. Barnabooth, personagem inventado mas que é ele, Larbaud, em Journal Intime:
“Amo-a [a Itália] e é tudo. E eis que vamos deixar tudo isso: os caminhos que endurecem
em três dias os pés dos viajantes, as ruas onde, por detrás das persianas
verdes, belos rostos vos vêm passar, as colinas desenhadas no azul, bandeiras
de uma procissão. Podemos haver medido e enganar-nos, e considerar a comodidade
da vida alemã como grande civilização. Mas veremos a diferença, quando
chegarmos aos países onde essa civilização se expande menos generosamente: a
Alemanha, justamente, em que o espírito vive dentro dos livros; a Inglaterra
onde não vemos, nas praças públicas, a nudez completa de Neptuno ou de David.
Pobres pequenas nações grosseiras!”
Barnabooth-Larbaud tem razão: assassinamos o espírito,
dia a dia.

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