segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Da agonia da Cultura


Imagem da Toscana, Itália



Ao retomar a leitura de Valery Larbaud, enterrado também ele, há muito, pelos canibais literatos, deparo com o seguinte desabafo, corajosa confissão de A. O. Barnabooth, personagem inventado mas que é ele, Larbaud, em Journal Intime:

“Amo-a [a Itália] e é tudo. E eis que vamos deixar tudo isso: os caminhos que endurecem em três dias os pés dos viajantes, as ruas onde, por detrás das persianas verdes, belos rostos vos vêm passar, as colinas desenhadas no azul, bandeiras de uma procissão. Podemos haver medido e enganar-nos, e considerar a comodidade da vida alemã como grande civilização. Mas veremos a diferença, quando chegarmos aos países onde essa civilização se expande menos generosamente: a Alemanha, justamente, em que o espírito vive dentro dos livros; a Inglaterra onde não vemos, nas praças públicas, a nudez completa de Neptuno ou de David. Pobres pequenas nações grosseiras!”

Barnabooth-Larbaud tem razão: assassinamos o espírito, dia a dia.    

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