sábado, 23 de maio de 2015

Paixão





"Sobre a aldeia", Marc Chagall, 1918

Soneto de Amor
Não me peças palavras, nem baladas, 
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
 
Deixa cair as pálpebras pesadas,
 
E entre os seios me apertes sem receio.
 

Na tua boca sob a minha, ao meio,
 
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
 
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
 
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
 

E em duas bocas uma língua..., — unidos,
 
Nós trocaremos beijos e gemidos,
 
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
 

Depois... — abre os teus olhos, minha amada!
 
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
 
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
 

José Régio in Biografia, Segunda Edição Refundida, e Muito Aumentada com Novos Sonetos e um Prefácio, Arménio Amado- Editor, Porto, 1939

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