António Sérgio (1883-1969)
António Sérgio -um dos
grandes pensadores da nossa Cultura contemporânea- é um dos esquisitamente silenciado pela esquisitíssima
feira das letras portuguesas; aqui vo-lo trago, pela mão de um grande escritor,
também ele atirado às malvas, José Régio, que refere Sérgio numa obra fundamental, Ensaios de Interpretação Crítica (Portugália
Editora, 1964).
Ora aqui vai:
“(…) citaremos o que
diz António Sérgio numa nota sobre Eça , na sua colectânea Prosa Doutrinal dos Autores Portugueses:
“Tende-se agora a fazê-lo vítima (como Camilo e muitos outros) do pendor de substituir o exame da obra pelo estudo da história e da biologia do autor e das influências que naquela hipoteticamente exerceram.
(…) Na essência, creio
ser o processo que nos domina ainda: fugir da obra para o autor; depois, fugir
do autor para uma teoria (explicação pela raça, pelo ambiente, pelo
materialismo histórico, pelos complexos de
Freud, pela caracterologia de Kretschemer, etc., etc.). Será excelentíssimo
(não o discuto agora): mas esse mecânico processo, classificador e dogmático,
que se aplica automaticamente, onde não é necessário pensar, não é o método
directo do verdadeiro ensaísmo, -radicalmente analítico, relacionador,
original, libérrimo”.
Perfil:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_S%C3%A9rgio

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