terça-feira, 19 de maio de 2015

A obra, antes de tudo o mais


António Sérgio (1883-1969)


António Sérgio -um dos grandes pensadores da nossa Cultura contemporânea-  é um dos esquisitamente silenciado pela esquisitíssima feira das letras portuguesas; aqui vo-lo trago, pela mão de um grande escritor, também ele atirado às malvas, José Régio, que refere Sérgio numa obra fundamental, Ensaios de Interpretação Crítica (Portugália Editora, 1964).

Ora aqui vai:

“(…) citaremos o que diz António Sérgio numa nota sobre Eça , na sua colectânea Prosa Doutrinal dos Autores Portugueses:

Tende-se agora a fazê-lo vítima (como Camilo e muitos outros) do pendor de substituir o exame da obra pelo estudo da história e da biologia do autor e das influências que naquela hipoteticamente exerceram.


(…) Na essência, creio ser o processo que nos domina ainda: fugir da obra para o autor; depois, fugir do autor para uma teoria (explicação pela raça, pelo ambiente, pelo materialismo histórico, pelos complexos de Freud, pela caracterologia de Kretschemer, etc., etc.). Será excelentíssimo (não o discuto agora): mas esse mecânico processo, classificador e dogmático, que se aplica automaticamente, onde não é necessário pensar, não é o método directo do verdadeiro ensaísmo, -radicalmente analítico, relacionador, original, libérrimo”.  



Perfil:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_S%C3%A9rgio

Sem comentários:

Enviar um comentário