quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Rosas

Pobres Rosas De Sintra


«Toma essas rosas de Dezembro, agora,
Que ao frio, à chuva, esta manhã colhi,
Elas trazem humildes, lá de fora,
Saudades da montanha até aqui.

Hão de morrer d’aqui a pouco, embora!
Em cada curva onde o perfume ri,
Trazem mais o terno duma hora,
Que um frágil coração bateu em ti.

Aceita-as pois, mas, como a vida é breve
E, um dia, perto, leve e branca a neve,
Há-de cair sobre o teu peito em flor,

(Não vá Dezembro algum murchar-te o encanto)
Deixa tu que eu te colha agora, enquanto
Tens sol, tens mocidade e tens amor.


Nunes Claro (1878-1949)

“ Médico distinto e poeta de rara sensibilidade. Só deixou um livro de versos, “Cinza das Horas”, e um poema . «Oração à Fome», dedicado a Guerra Junqueiro.
O mais ficou disperso.
Foi também um «pai dos pobres».
No Parque Municipal está gravado na pedra um belo soneto deste médico-poeta
Ali também, tendo como plinto uma rocha, está um busto do poeta, em bronze, da autoria do distinto escultor Anjos Teixeira(filho )"
Publicada por Viviana à(s) 07:13


colhido no blog  Olhai os lírios do campo, 13 de Novembro de 2008

Nunes Claro, retrato de E. Malta

2 comentários:

  1. É um bonito poema. Não conhecia o médico/poeta.

    Um beijinho e um bom dia:)

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  2. Isabel, Portugal é um país de poetas. Nunes Claro, mais um, com um único livro publicado, cheio de coisas muito belas. Um romântico, um português!

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