domingo, 16 de fevereiro de 2014

Outro Grande entre nós desconhecido




Isaac Bashevis Singer (1902-1991) em três fotografias

Da entrevista, conduzida por Richard Burning (Conversations with Isaac Bashevis Singer, Doubleday and Company, Inc., New York,, 1978), escolhi a seguinte passagem que me parece extremamente interessante e actualíssima, que revela a sua admirável liberdade de espírito:

“Burhing- Comentando o estado da literatura de hoje, falou de “grandes” e “pequenos” e definiu os “grandes” como minoria dotada de uma certa sensibilidade. Poderia explicar por que razão, a seu ver, tanta gente que tem um pequeno talento controla, em geral, o mercado literário?

Singer- Porque são esses e os seus leitores que constituem a maioria.

Burning- E como é que acontece?

Singer- Nasceram assim. O talento é inato. Não creio que o possam fabricar, que a sociedade ou as circunstâncias o façam aparecer. Os genes não produzem muitos grandes talentos, há poucos em cada geração. É quase um acidente da natureza. Só na cidade de Nova-Iorque existem cerca de duzentos editores que têm de publicar, todos os anos, um certo número de livros para que o seu negócio não vá à falência. Como encontrar bons autores suficientes? O número de leitores aumentou porque há mais gente que sabe ler. Ora podemos aprender a ler mas não a escrever.

(…)

Burning- Por que é necessário, a maior parte das vezes, tanto tempo para que os verdadeiros escritores sejam reconhecidos?

Singer- Porque, se tanta gente que não é absolutamente nada dotado passa por o ser, nem o leitor nem mesmo o crítico sabem o que é o verdadeiro talento. Além disso, as pessoas mentem. O tempo dos ídolos não acabou Declara-se um deus um pedaço de argila e impõe-se aos outros, através das mais variadas astúcias. No próprio século XIX, os verdadeiros talentos eram perseguidos e os falsos colocados nas nuvens. Perseguiram Byron, Wilde, e tantos outros. Um génio como Edgar Allan Poe morreu na miséria.”


p.s. pela biografia que poderás ler abaixo, Isaac Bashevis Singer -Prémio Nobel em 1978- não tinha de que se queixar nem ninguém que que invejasse…  


Nota:

http://en.wikipedia.org/wiki/Isaac_Bashevis_Singer

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