segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A nova escravatura segundo Tchekhov

Anton Tchekhov

Tchekhov e Tolstoi na casa deste, em Yasnaia Poliana

Tchekhov na sua casa de Kutchuk-Kói

Tchekhov e Maxim Gorki


Estas linhas tiradas de uma narrativa, quase uma long-short story, com 118 anos em cima, adaptam-se, completa e perfeitamente, à tragédia dos nossos dias. No entanto, uma ressalva: hoje -e aqui especialmente- não assistimos ao “desenvolvimento progressivo das ideias humanitárias”; assistimos ao contrário: à destruição do humanismo. Muito demora o homem a impor aquilo que lhe é devido e muito muitas as dificuldades “que tem um reino velho [Portugal] para emendar-se (Ribeiro Sanches)!…

Verifica-se, paralelamente ao desenvolvimento progressivo das ideias humanitárias, um desenvolvimento crescente de ideias de outra ordem. A servidão já não existe; em contrapartida o capitalismo desenvolve-se. E, em plena expansão das ideias emancipadoras (…), a maioria alimenta, veste e defende a minoria, continuando ela, maioria, esfomeada, sem roupa e sem defesas. Esta ordem de coisas acomoda-se muito bem a qualquer tendência ou corrente porque a arte da escravização desenvolve-se ao mesmo tempo. Já não chicoteamos os nossos criados mas escondemos a servidão de maneira refinada e sabemos encontrar, para ela, caso a caso, uma justificação.”


Anton Tchekhov in A minha vida, narrativa escrita e publicada em 1896  

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