quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Da liberdade do espírito

Galileu e a polícia eclesiástica

Jean Grenier*** escreveu o ensaio de que citamos uma passagem ainda hoje actualíssima.

Nesses anos -e 1938 é a luz vermelha que se acende e alerta para a grande catástrofe e o monstruoso holocausto-, “espírito de ortodoxia” transformara-se em “culto do dogmatismo”: o fascismo, o nazismo, o comunismo estalinista, o catolicismo trentista (firme na linha do dogmático Concílio de Trento).

Hoje, à ortodoxia substitui-se o fanatismo; mas a ela também se substituiu a indiferença moral. 

O que se passa, hoje, aqui -e alastra pela Europa- ilustra-o.

Infelizmente essa amoralidade arrastou consigo a indiferença, o egoísmo, a injustiça social.

Não pensar é um crime: de facto quem não pensa não existe. No entanto, ninguém pensa sem o desenvolvimento da Cultura -de uma Cultura livre, de uma Investigação livre; de um pensamento livre. Tudo isso em movimento permanente e… livre.    

“Nada é mais natural e legitimo do que ser católico ou revolucionário; nada é mais contestável do que querer submeter todo o saber humano à justificação da sua fé. Aliás, nada é mais perigoso: a causa da ruína de uma crença não assenta nos seus agregados científicos e temporais? Por exemplo: poucas coisas fizeram tanto mal à Igreja do que a condenação de Galileu.”

in Essai sur l’esprit d’ortodoxie, Gallimard, 1938

***http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Grenier   

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