sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A resposta que nunca chega





PALAVRAS

Palavras, atirei-as
Como quem joga pedras, lança flores.
Abriram fendas nas areias.
Suscitaram carícias e furores.

Sobre mim recaíram
Pesadas de multíplices sentidos.
Tenho os lábios que um dia as proferiram
E os dedos que as gravaram –já feridos.

Tintas de sangue as restituo aos ventos.
Prestidigitador que sou de sons, palavras.
Dá-lhes novos alentos,
Fogo sonoro que em mim lavras!

Errantes lá por solidões imensas,
Com asas no seu peso, à recaída
Me tragam, ágeis, densas,
A resposta final que me é devida.

in Colheita da Tarde, Volume Póstumo organizado por Alberto de Serpa, Brasília Editora, 1971 (esta poesia foi publicada em “Horizonte”, Artes-Letras do Jornal do Oeste, 4ª série, nº 479, Rio Maior, 9 de Junho de 1969. Com data “Vila do Conde, Abril de 69. Régio morreu no dia 22 de Dezembro de 1969)




José Régio na intimidade


Casa onde José Régio viveu, em Portalegre, hoje afogada por um monstruoso Centro Cultural que não só esconde Régio como agride o largo belíssimo onde o meteram. Podes ver as costas do tal Centro, bem encostadinhas à Casa Museu de um dos maiores escritores portuguseses...


Na sequência da viagem ao mundo maravilhoso italiano, levei a minha companheira de viagens, dias, meses, anos, ao longo da vida, trouxe-a à sua terra, outra pequena e discreta maravilha, Portalegre.

Calhou encontrar à venda no admirável Museu da Tapeçarias, um livro que nos devolve José Régio, na intimidade: Correspondência Familiar Cartas A Seus Pais, Introdução Notas de António Ventura, edição Caleidoscópio, 2ª edição.

E devolve mesmo: no livro reaparece um grande poeta no seu dia-a-dia, na simplicidade e… na complexidade.

Os que admiram e estima Régio deveriam lê-lo.

Aqui transcrevo duas passagens, qual delas a mais interessante e sempre em cartas para a mãe, que tanto amava:

Podemos lembrar sempre os que partiram sem que isso nos tire o gosto de vivermos para os que ainda nos restam, -pois estes são os que verdadeiramente precisam de nós.” (20.Janeiro.1940)

E, à margem da dor da partida dos que se ama, a dor de ver cortado o direito de escrever:

“O meu livro, embora publicado, tem-me tomado muito tempo porque tenho de o mandar a este e à quele… Mas não estou não estou descontente, porque parece que se vai vendendo menos-mal.” (25. Novembro.1934)

Durou muitíssimo pouco a alegria de ver o seu livro tão procurado: a censura salazarista proibiu-o e os volumes foram confiscados.


    

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A caminho do Alentejo lugar de esperança



Chegado há três dias do mundo maravilhoso, isto é, da Itália, quase já recansado por esta confusão e vigarização dos Cavacos, Coelhos & Cia, parto para outro mundo maravilhoso, o Alentejo, a ver se me resoxigeno…


Até breve, melhor d’alma, espero…  

domingo, 25 de outubro de 2015

Um assassino chamado Turismo


O assalto a Veneza...


O assalto de turistas vai destruindo Veneza.

Massas de milhares e milhares de gente que escurece Veneza.

Que a diminui, que a banaliza, que a apaga.

Barcos imensos com milhares e milhares de plácidos analfabetos, 
que olham para Veneza como boi para palácio.

Há 10 anos, Veneza tinha 75 000 venezianos, hoje anda à volta dos 45000.

Veneza tornou-se insuportável para os venezianos e para aqueles que realmente a amam e entendem.


Veneza arrisca transformar-se num imenso supermercado de tralhas feitas para ignorantes e de obras de arte que as massas tapam ou nunca irão perceber.  

sábado, 24 de outubro de 2015

As paixões de Cavaco




Os gambozinos...

É do conhecimento público o amor que tem Cavaco aos bichos.

Especialmente o seu amor às vacas e a alegria que expressa quando vê esses animais nossos amigos deixarem-se, com grande gozo, serem mungidos, sobretudo quando por robôs.

Ora dizem por aí que Cavaco lançará um governo de gestão -8,9 meses sem orçamento e sem trabalho de importância, o Zé povinho a gemer de desemprego e fome e doenças por tratar-, caso a esquerda corra à vassourada o governo que Coelho, recem biprimeiro ministro, deverá apresentar à Assembleia.

Cavaco recorrerá, imediatamente, à bicharada e mandará para o palco da Assembleia uma equipa -o tal governo de gestão- à cata de gambozinos.