terça-feira, 18 de agosto de 2009

O dia de hoje: ficamos a saber que Cavaco nunca foi dirigente do PSD nunca foi primeiro ministro nunca foi político... e é uma criatura extra...




Há dias, Cavaco disse, no tom simpático, franco e claro que o distingue, o PR disse que agora não lhe cabe falar... "agora, em tempos de pré-campanha eleitoral, é a o hora dos políticos falarem" (traduzo o mais correctamente possível, dadas as dificuldades de dicção do orador) ...



Ficámos a saber que Cavaco não pertence a essa classe: é de outra classe especialíssima. Nunca foi membro do governo de Sá Carneiro, nunca foi dirigente do PSD, nunca foi primeiro ministro... Para compreender esse fenómeno singularíssimo, concluo que Cavaco não é deste mundo e que tudo o que se diga das suas actividades políticas... não passa de pura ficção...


Concluo, também, que Cavaco foi eleito PR por apolíticos, almas puras, nefelibatas, livres de todos os pecados que os 10 mandamentos e mais alguns condenam...
Manuela Ferreira Leite não pertence ao mundo de Cavaco nem sequer foi, alguma vez, ministra de Cavaco... não é verdade?




segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quando é que acabará essa tristeza portuguesa que tem medo do riso???

alegria brasileira alegria que nos falta...


O pessoal ficou nervoso, quando viu e ouviu um grupo de jovens brasileiros cantarem e dançarem, ao som de música animada e alegre, na praia de Carcavelos...
E chamou a polícia!

Com mil demónios, a alegria é coisa proibida, cá na terrinha? Temos de andar todos de monco caído, desconfiados e tristes? Uma pessoa contente, natural, livre, -ela própria, em suma -é um insulto para a humanidade?, perdão, para o português?


Eça de Queirós, a espreitar da janela de casa de seu pai, no Rossio, em Lisboa, o desfile dos alafacinhas (amostra concludente da marcha lusitana), comentou: 'Esta gente é obra de um curioso!'

Sim, de facto... e não tem cura a neurastenia lusitana?


Eu espero, contudo, que os milhares de brasileiros que desambarcam na Portela dêem um empurrão a esta paz pôdre, ajudem a acabar com esta náusea mortal... com esta chatice!

Anne Frank: um calvário que durou cinco anos...

Anne Frank 1929-1945


o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha


Há 65 anos - em 1944-, Anne Frank foi presa pela Gestapo, a polícia política nazi, em Amesterdão. Desde 1940, quando o exército alemão invadiu a Holanda, Anne vivia escondida numa espécie de mansarda. Morreu, um ano depois, no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha. Tinha 16 anos. Foi um dos 6 milhões de judeus assassinados, pelo regime hitleriano.

Insinua Forges em 'El Pais' de hoje que os nossos políticos suam a fazerem ginástica na Praia dos Tomates e a prepararem a 'rentrée'?...


O dia de hoje: o Estado somos nós e os políticos e os governos são outras coisas e a força deles depende da nossa força ou... fraqueza!






Um dos grandes -senão o maior- erro do cidadão português é confundir Estado e Governo.

Há séculos -oito?- que o português anda escaldado -assado!- e olha de viés, quando não olha com desprezo, quando não olha com raiva, quando não olha com ódio, para os vários governantes que, ao longo desses 8 (oito!) séculos, foram fazendo deste nosso país o mais pobre da Europa.

Aldrabado, traído, espoliado, o português reage da seguinte maneira: ‘morte ao Estado, bando de ladrões que nos arrasa a vida!”

Esquece que... ele (mais os outros portugueses) é o Estado!

Confundiu os políticos que, uns após outros, governaram o nosso país, com o Estado.

Daí, o seu absurdo ódio... ao Estado... e a escorregadela: passou a desejar um Estado cada mais fraco...

Não reparou que se enfraquecia a ele próprio.

Não reparou que colabora com o neoliberalismo, que quer um Estado fraco, o mais fraco possível, se possível... inexistente... –para poder negociar e enriquecer à vontade, nas costas do povo: para poder roubar, sem que o Estado, enfraquecido, tísico, castrado, possa fiscalizar as suas (dele, neoliberalismo) negociatas.

O Estado somos nós e temos que o defender, para nos defendermos a nós próprios. Governos e políticos são outra realidade cuja existência e poder depende de nós.

Depende do nosso voto, que elegerá Assembleia de República, as Câmaras e Freguesias, o Presidente da República.




Uma óptima notícia: amigo que se quis anónimo manda dizer que existe uma tradução portuguesa da obra-prima de Étienne de la Boétie!




Um amigo, que não quis identificar-se, teve a excelente iniciativa de informar o seguinte:

O admirável (e actualíssimo) ensaio de Etienne de La Boétie, Le Discours de La Servitude Volontaire, foi traduzido para português por Manuel João Gomes e publicado na Editorial Antígona. Confirma, também, a existência de um texto de tradução barsileira, disponível na internet (já aqui assinalado).

Bem haja!

domingo, 16 de agosto de 2009

O dia de hoje: a contagem decrescente e o ter ou não ter respeito pela dignidade humana...

a liberdade é o primeiro e fundamental direito do homem...




Não conheço nenhuma tradução portuguesa do ensaio de Étienne de La Boétie -já por mais de uma vez aqui falado- ‘Le discours de la servitude volontaire’. Existe? Gostaria de saber. Realmente, durante os quase 50 anos salazaristas, a publicação da obra-mestra do grande amigo de Montaigne seria impossível: o ditador não o permitiria. E ter-se-à criado o hábito de não pensar nisso: em traduzir um dos mais lúcidos e esclarecedores trabalhos condenando as ditaduras...

Não fustiga La Boétie, somente, as ditaduras: denuncia e castiga a passividade daqueles que se deixam dominar, escravizar. A inércia daqueles que nem se escandalizam, nem se interrogam, nem protestam –quando se descobrem servos. Em suma: quando se habituam à condição de escravo. E esse hábito é, para La Boétie, o resultado do desuso da liberdade. E a liberdade, uma vez perdida, e longamente perdida, dificilmente volta a ser para o oprimido o valor essencial que era.

O 25 de Abril foi há 35 anos –e, para muita, demasiada gente, o ‘hábito’ ainda não é aquele que, naturalmente, devia ser: ainda perdura outro ‘hábito’: o de não pensar nos direitos e obrigações cívicos. E ainda se não reinstalou, em todas as consciências, o direito à liberdade.

A liberdade é mais do que um direito: é uma questão de honra, de vertgonha na cara –de obrigação, porque descurarmos a liberdade significa não nos respeitarmos a nós próprios e desistirmos da condição de pessoa digna, íntegra, inteira.

Falta um mês e 11 dias para as eleições –especialmente importantes porque atravessamos uma crise grave. Mais do que nunca devemos pensar e repensar tudo o que nos rodeia.

La Boétie lastimava os resignados, os habituados à inferioridade social e escrevia:

‘...existem, porém, outros que nunca se submeteram [às condições adversas] e que nunca esqueceram os seus direitos naturais [os seus direitos cívicos] e, em todos os momentos, os reivindicaram.’

E, mais uma vez: abstermo-nos de votar é entregar a chave ao ladrão –a chave da nossa alma. É colaborar na eternização do genocídio em curso, obra do neocapitalismo e do neoliberalismo sem rédeas –selvagens.