in Público de hoje
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Portugal, um país em vias de extinção?
Um livro precioso, com belas fotografais e excelentes historielas, janela aberta para um mundo que não pode morrer...
Ofereceu-me, hoje, um
amigo muito generoso, L miu purmeiro
lhibro an Mirandés/O meu primeiro livro em Mirandês, texto de Carlos Ferreira,
fotografia de Paulo Magalhães, Edição Planeta Vivo, Outubro de 2005.
Jorge Sampaio -o último
Presidente da República inteligente e culto, após o 25 de Abril-, num Prefácio
breve, abre o livro com estas palavras:
“Um
grande pensador do nosso tempo, Georges Steiner, diz que uma língua que desaparece
é um mundo que acaba. A defesa do mirandês é a defesa de um mundo de memórias,
de tradições, de evocações, de experiências. E também de sonhos, de projectos,
de afectos.”
Nada há a corrigir ou a
acrescentar a isso.
Ligam-me a Mirandela,
antepassados meus, vindos através de meu pai; pude verificar, gravado no
parapeito do balcão do antigo tribunal, a passagem de um Lopes Cardoso, juiz,
na terra, em meados do século XVII.
Pormenor, eu sei, mas…
…liga-me a
Trás-os-Montes a minha infância, a minha adolescência e juventude.
Liga-me a
Trás-os-Montes a minha avó Augusta, que me contou histórias inesquecíveis,
quando na Guarda.
Ligam-me genes.
E, olhando o Interior,
de norte a sul, reparo que também tudo isso são mundos em risco.
A quanto sei, o belíssimo
livro que me ofereceram hoje está esgotado.
E digo: eis um sinal da
triste realidade: Portugal esgota-se.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Os amores de Júlio Dinis
A boa companhia...
Ainda às voltas com
Júlio Dinis, e encantado, consulto, agora, um livrinho de Mestre António Sérgio,
As Pupilas do Senhor Reitor, Trechos escolhidos
e apresentados em inserção num resumo da novela, editado pela saudosa
Livraria Sá da Costa, em 1940.
A livraria do Chiado, à esquina,
onde se juntavam personalidades de outros tempos, quando a Brasileira era o que já não é hoje e a Bertrand idem.
Não que o tempo então
fosse mais aberto; bem pelo contrário: era bem apertadinho: sofríamos o regime
do sinistro e medíocre ex-seminarista de Santa Comba.
A alma portuguesa continuava pasmada,
tal qual a denunciou Antero, mas havia quem fizera e fazia coisas a fim de que
se curasse.
E a verdade é que Abel
Manta, revoltado, farto, indignado, me confiou, um dia:
“-Sabe que mais? Isto é um país do
caraças! Um país onde o peido é maior do que o cu!”
Trato, porém,
agora, de Júlio Dinis: descobri, na obrinha de Mestre António Sérgio, este
desabafo, colhido na sua correspondência, já muito doente, como desde cedo
esteve, e a dois anos da morte:
“Há poucos momentos de mais felicidade
para mim, hoje, do que aqueles em que me absorve a atenção a composição de um
romance. Consigo às vezes ver tam distintas as personagens que criei, que
parece-me chegar quási a convencer-me de que elas existem. E com essa gente
dou-me tam bem!”*
E veio-me à
cabeça a solidão de Proust e o mundo maravilhoso, as figuras que ia criando e
recriando e o acarinhavam.
*seguindo António Sérgio, respeito a ortografia de Júlio Dinis
Júlio Dinis: o homem que amava o bem e conhecia o mal
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