'Os peixes doirados", de Frederick Child Hassam (1859-1935)quarta-feira, 4 de maio de 2011
O retrocesso do progresso
O lugar onde o homem vai morrer“A produção atrai o consumo que, por sua vez, exige ainda mais produção. Necessidades directas e indirectas da indústria, dir-se-ia aspirarem fachas sempre mais vastas da população. Esses mega-grupos concentram-se em imensos aglomerados urbanos que lhes impõem uma vida artificial e desumanizada.”
Claude Lévi-Strausse in L’Anthropologie face aux problèmes du monde moderne, Seuil, 2011
Provavelmente, um triunfo de Sócrates e o disparate de impor novas eleições legislativas
Ri melhor quem ri no fim...Portugal confía en reducir el déficit sin más recortes sociales
por Francesc Relea
El Gobierno en funciones concretará hoy las medidas que le exigen la UE y el FMI para prestarle los 78.000 millones del rescate.- Antes, evaluará la reacción de los mercados con una subasta a tres meses
Portugal ya ha cerrado el acuerdo para recibir el rescate financiero de 78.000 millones de euros de la UE y el FMI, según anunció ayer el primer ministro portugués, José Sócrates. No obstante, el jefe del Ejecutivo, en funciones tras presentar su dimisión el 23 de marzo después del rechazo del Parlamento a su cuarto plan de ajustes, no quiso adelantar las condiciones a las que estará vinculada la ayuda hasta que no se las haya comunicado al resto de partidos, lo que previsiblemente tendrá lugar esta mañana. Una vez dado este paso, el Gobierno convocará una rueda de prensa para concretar las medidas con las que el país piensa devolver el déficit público por debajo del 3% que exige Bruselas.
Unas horas antes de conocer los detalles del plan, Portugal podrá calibrar cómo han recibido los mercados el acuerdo, que han amanecido hoy prorrogando el alivio de las últimas jornadas. A media mañana, el Tesoro luso realiza una nueva subasta de deuda con títulos a tres meses con la que quiere captar entre 750 y 1.000 millones. En la última operación a estos plazos, del 20 de abril, vendió 1.000 millones a un interés del 4,046%. Este alto interés para unos títulos a tres meses, junto a la expectativa de que iba a haber acuerdo y dinero del FMI y la UE, lo que de alguna manera aseguraba la operación a los inversores, motivó que la demanda duplicase la oferta.
Hoy, probablemente, se repetirá este patrón aunque hay expectación por ver la rentabilidad a la que se cerrará la emisión a la espera de que se concrete el interés que le cobrarán el FMI y la UE. Grecia paga un 3,5% por el primer tramo del crédito de rescate y un 4,5% a partir de tres años. Irlanda, el otro país que se ha visto obligado a activar la ayuda de sus socios del euro, abona un tipo medio del 5,8%. Portugal ha seguido acudiendo al mercado para financiarse a pesar de haber solicitado ya el rescate para garantizar que contará con los fondos suficientes para afrontar los vencimientos por 4.900 millones de euros que tiene en junio.
No más recortes en los sueldos de funcionarios
Según se limitó ayer a avanzar Sócrates, que volverá a ser el candidato del Partido Socialista en las elecciones que se celebrarán el próximo 5 de junio, el pacto no supondrá un nuevo recorte en los derechos sociales básicos. Es decir, no habrá mas cortes salariales de los empleados públicos, ni reducción del salario mínimo, ni recorte de las pensiones hasta 600 euros, ni tocara la paga extra de Navidad.
A pesar de esto, el primer ministro en funciones sí que reconoció que el acuerdo alcanzado tras tres semanas de negociaciones tiene como base las medidas de austeridad presentadas por el Gobierno en el Plan de Estabilidad y Crecimiento (PEC) que fue rechazado a finales de marzo por el resto de grupos. Y en ellas se contemplaba una rebaja de las pensiones más altas, las superiores a 1.500 euros. No obstante, no contempla despido alguno en la función pública.
Privatizaciones
También, según el plan inicial, el acuerdo incluirá medidas sobre el sistema financiero y más privatizaciones. El Estado controla la eléctrica EDP y la distribuidora REN, la petrolera Galp, la aerolínea TAP y Correos de Portugal. Sin embargo, Caixa Geral de Negocios, el mayor banco del país y también de titularidad pública, se queda fuera de este paquete. El objetivo esencial sigue siendo la reducción del déficit, aunque con algo más de tiempo. En concreto, prevé llegar al 5,9% en 2011, al 4,5% en 2012, y al 3% en 2013, cuando en marzo se había comprometido a llegar al 3% ya el próximo año.
El acuerdo del rescate financiero será debatido por los ministros europeos el próximo 16 de mayo. Una de las incógnitas en esta cumbre será la posición de Finlandia, nada clara tras el ascenso de la ultraderecha en las últimas elecciones. De ser aprobado, Lisboa empezaría a recibir fondos a finales de este mes, con lo que podrá abonar sin problemas los vencimientos que tiene para entonces.
transcrito, com a devida vénia, do El País de 04/05/11
terça-feira, 3 de maio de 2011
O primeiro libertador
'Prometeu', óleo do flamengo Jan Cossiers, séc. XVI“Zeus governou o mundo, como um tirano, durante trezentos séculos. (...) os homens, ignorantes e débeis, não pareciam perigosos. No entanto, Zeus não se fiava. Adivinhava, neles, um desejo de independência e um espírito criador, que o inquietavam. Esforçou-se por os manter pobres e imbecilizados e recusou-lhes o uso do fogo e o conhecimento de todos os ofícios.
(...) Mas os homens tinham um amigo: o titã Prometeu a quem chamavam Filantropo. (...) Prometeu, desafiando a cólera de Zeus, roubou uma centelha do fogo celeste (...) e escondeu-a na haste de uma flor e o seu brilho arrebatou os homens. Ensinou-lhes os ofícios de que o fogo é o instrumento, e as artes de que é o princípio e o símbolo...”
André Bonnard, in Les Dieux de la Grèce, Éditions de L’Aire
domingo, 1 de maio de 2011
Perderam a vergonha
Os "amigos da coelheira" ao ataque: haverá quem engula essa banha da cobra?"Própudor"
por Manuel António Pina
O vice-presidente do PSD, Leite de Campos, é já a personagem destas eleições favorita de tudo o que é jornalismo ávido de "fait divers". Com efeito, se não todas as noites, como no poema de Cesário, todos os dias "uma fantasia/ lhe emana [...] da fronte imaginosa", todos os dias exibe "uma mania/ aquela concepção vertiginosa" e Marinho e Pinto tem finalmente um adversário à altura no seu pícaro e renhido combate pela atenção dos média.
Desta vez, depois de ter descoberto que "quem recebe benefícios sociais são os mais espertos e aldrabões" e propor o pagamento desses benefícios em géneros, Leite de Campos apresentou-se na SIC como cavaleiro dos desgraçados portugueses que só ganham 10 000 euros por mês e que, com os 42% que o Estado lhes deduz, ficam com uns miseráveis 5800 euros limpos, o que não lhes dá "para casa, roupa lavada, comida, instrução dos filhos, doença e tudo o mais".
Desde que, ainda não há muito, as sondagens deram o PSD próximo da maioria absoluta, o partido transferiu-se com armas e bagagens para a carreira de tiro mediática e tem-se aí dedicado ao animado desporto do tiro no pé. De então para cá, de cada vez que Leite de Campos, o próprio Passos Coelho ou os selectos cavalheiros do clube "Mais sociedade" abrem a boca, o PSD desce mais um degrau nas intenções de voto.
Perguntar-se-ão os eleitores como há-de o PSD governar o país se não tem governo no seu próprio discurso.
transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de 02/05/11
Colegial
'Madonna del parto', de Piero della FrancescaEm cima da minha mesa,
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços –e nada leves!-
Atados com um retrós...
Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isso de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido algum tinteiro de tinta!
José Régio, in As Encruzilhadas de Deus
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços –e nada leves!-
Atados com um retrós...
Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isso de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido algum tinteiro de tinta!
José Régio, in As Encruzilhadas de Deus
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